Ainda Há Estrelas No Teu Olhar (I)
Sei que estás a sofrer,
Que o teu homem foi-se embora outra vez,
Partiu como um furacão
E tu só pensas no bem que ele te fez...
Tentas dormir
Mas o teu sono parece ter voado com ele
E a noite colou-se às tuas costas,
Tão escura como um pesadelo.
Mas, ouve bem, meu amor:
Não é tarde para sorrires outra vez.
Ainda há estrelas no teu olhar.
E tu, conta lá como foi
Daquela vez que te deitaram abaixo.
Não foi granada nem bala, não...
Foi só a perda de um pequeno tacho.
Pobre de ti
Ficaste a refilar na bicha para um lugar ao sol (pois foi)
Continuas na sombra
E o teu corpo está cada vez mais mole.
Mas, ouve bem, meu irmão:
Não é tarde para sorrires outra vez.
Ainda há estrelas no teu olhar
A ti, conheci-te num bar,
Conversei contigo à beira do rio.
O teu casaco era de peles
Mas nos teus olhos havia frio.
Tu queres ser quem és
Mas o teu velho quer que sejas engenheiro
E tu sentes-te só
Como uma agulha num palheiro.
Ouve lá bem, meu irmão:
Não é tarde para sorrires outra vez.
Ainda há estrelas no teu olhar.
-Jorge Palma-




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