29 agosto 2016

...gostava de ver o teu olhar enxuto...



...às vezes temos a sensação de que alguém que faz parte das nossas vidas nunca foi jovem - sempre me lembro dela incapaz de arriscar, incapaz de rir a bandeiras despregadas, incapaz de uma pequena loucura "porque parece mal!!!". Sempre o medo do que possam dizer. Sempre o aparentar bem. Sempre refém das suas mágoas e dos seus problemas de saúde (pois mais ninguém tem problemas como ela tem). Sempre vendo os copos meios vazios, numa onda de pessimismo doentio e que acaba por contagiar. Sempre incapaz de reconhecer a pessoa fabulosa que tem ao seu lado. Sempre incapaz de pedir ajuda. Sempre incapaz de receber o carinho que está sempre presente. E é desgastante o dia-a-dia ao lado de quem não sabe reconhecer o amor que lhe dão...

27 agosto 2016

...somos livres, somos livres, não voltaremos atrás...






...este é um dos temas que eu cantava com a idade da minha filha (este disco da Ermelinda Duarte fazia parte do espólio do meu pai) e que ela aprendeu no jardim de infância por alturas do 25 de Abril e tem cantado quase diariamente desde aí...








Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

18 agosto 2016

17 julho 2016

...e assim estás no meio do amor como o centro da rosa...



...1 ano de maternidade... grandes e almejadas mudanças... e hoje foi um dia celebrado com os amigos e a família...






Mãe 


Conheço a tua força, mãe, e a tua fragilidade.
Uma e outra têm a tua coragem, o teu alento vital.
Estou contigo mãe, no teu sonho permanente na tua esperança incerta
Estou contigo na tua simplicidade e nos teus gestos generosos.
Vejo-te menina e noiva, vejo-te mãe mulher de trabalho
Sempre frágil e forte. Quantos problemas enfrentaste,
Quantas aflições! Sempre uma força te erguia vertical,
sempre o alento da tua fé, o prodigioso alento
a que se chama Deus. Que existe porque tu o amas,
tu o desejas. Deus alimenta-te e inunda a tua fragilidade.
E assim estás no meio do amor como o centro da rosa.
Essa ânsia de amor de toda a tua vida é uma onda incandescente.
Com o teu amor humano e divino
quero fundir o diamante do fogo universal.

António Ramos Rosa, in 'Antologia Poética'

16 junho 2016

...saudade...






...faz hoje 5 anos que partiste. As saudades são imensas, mas sei que continua comigo e com aqueles que amava. Hoje, ao chegar a casa, vi que havia uma data de flores abertas, o que me surpreendeu, pois ontem nem tinha reparado que poderiam florir em breve. A minha jardineira estava comigo...

07 junho 2016

...futuro que era brilhante...

...há uns anos atrás a notícia da tua inesperada partida deixou-me em choque, mc... mas sei que continuas comigo e com todos os que amas, como sempre...


 

17 maio 2016

...saudade...







...12 anos e  muita saudade...

13 janeiro 2016

...diga: 37!!!...

...são últimos minutos do dia 13 de Janeiro. Isto significa segundo a rádio, as revistas e o Facebook, mais um ano da existência dos Xutos & Pontapés.
Para mim, pessoalmente, significa mais do que isso. Olhando para a minha lista de contactos no telemóvel (ou para a lista de amigos aqui ao lado), mais de metade existem porque existem os X&P.

Não imagino a minha vida sem eles. Muitos dos amigos da actualidade, aqueles que estão sempre presentes nos bons e principalmente nos maus momentos, surgiram durante um concerto e... ficaram, até hoje (grande cambada de masoquistas, é o que tenho a dizer!!!). Fizeram parte da maioria das histórias de amor e desamor porque passei.
Houve momentos maus, houve desilusões... claro que houve. Nada nesta vida é totalmente maravilhoso. Faz parte da natureza humana sermos imperfeitos. Mas o que sobrou de fabuloso consegue superar tudo o resto. Especialmente os amigo e as memórias fabulosas.
E faz hoje 9 anos, estava quase a sair do 2º dos concertos de comemoração de mais um aniversário no Casino de Lisboa. Um concerto fabuloso, com o meu Voo das Águias!!! Acabámos por ir para o Musicbox. Faz hoje 9 anos, a mc, no bocadinho que esteve comigo convenceu-me a dar o grande passo e avançar para o maior desafio da minha vida. No meio de tantos momentos de desespero, entre esperas e burocracia, finalmente cá por casa temos mais uma fã de Xutos.

Se tudo isto - milhares de kms, tempo de espera, correrias, confusões, diretas e vir trabalhar no dia seguinte - valeu a pena??? Claro que sim. Se sou quem sou hoje, devo muito a todos aqueles que entre uma espera na fila para entrar e as horas passadas na grade ou às longas viagens feitas se cruzaram na minha vida. Nem toda a gente se pode gabar de comer das melhores pataniscas da zona centro ou de fazer um piquenique de pizzas numa noite chuvosa à porta de uma tenda!!!!!!!!

Simplesmente... OBRIGADA POR TANTO, X&P!!!




12 janeiro 2016

...confortably numb...







...a last goodbye...

11 janeiro 2016

...just for one day...




...we can be heroes...


(but you were a king, Lazarus...)

...this is our last dance...














...não sei se estarão no Céu, mas onde quer que estejam é para aí que eu um dia quero ir, para os poder continuar a ouvir ad eternum... porque, tal como o imagino, o Paraíso tem obrigatoriamente estes dois Senhores a dar concertos diariamente... no, this was not your last dance, Lazarus...



06 janeiro 2016

...vamos cantar as janeiras...




...um Feliz Dia de Reis...

...em relação ao jeito muito especial de todas as mães eu espero é que nada deixe de ser como é...


As mães estragam as crianças, SIM!




(Advertência: Este texto não deve ser lido por todas as pessoas! É exclusivo e recomendado só para aquelas que serão, muito provavelmente, as melhores mães do mundo.)

Não, não é verdade que as mães sejam serenas, macias e bucólicas, quase sempre. E que, seja diante do que for, reajam num tom ameno, almofadado e cheio de açúcar, sem sequer gritarem, esbracejarem e esconjurarem todos os descuidos que, sempre que elas são dedicadas e atentas, abundam numa casa. As mães saudáveis têm o direito (milenar!) a esganiçar-se, sim senhora! (Aliás, mães esganiçadas são um património imaterial da Humanidade; como se sabe.) E têm o direito a ameaçar que, um dia, se vão embora e “aí sim, vocês vão ver a falta que vos faço!”. E por mais que não esperem que ninguém as leve a sério, como é óbvio, agradeciam que toda a gente da família ficasse, pelo menos, em… estado de choque (!!!) diante de um grito como esse, em vez de permanecer em silêncio – entre o divertido e uma atitude do género: “Ela fica tão gira quando está com mau génio!” – como se nada, na gritaria duma mãe, valesse para o que quer que fosse! Aliás, as mães (saudáveis, é claro) estão fartas e saturadas da sua função de mãe nunca ter nem domingos nem feriados! Nem ser considerada para efeitos de reforma, de banco de horas – a reverter em seu favor, aos fins de semana – ou com mais dias de férias, como devia ser!

Afinal, quem é que levanta as crianças, todos os dias, e se dispõe ao papel (maléfico!) de as proibir de dormir mais cinco minutos, e se esgadanha contra os seus dedos papudos que reclamam “mais desenhos animados já!”? E quem é que as apressa a vestir e as obriga a engolir o pequeno almoço, quase sem respirar? E quem é que as intima a lavar os dentes (depressa!), antes de as ameaçar que vão de cuecas para a escola se não descerem (a correr!) para o carro para que, depois de esbracejarem contra o trânsito, irem numa correria deixar a miudagem, que cansa, só de ver? E quem é que deve sofrer de dupla personalidade e, depois dos ataques de nervos de todas as manhãs, passa da fúria de leoa à maior de todas as ternuras e pespega um beijo inimitável, e dá um sorriso cheio de luz, e abraça, e diz “a mãe ama-te tanto!!!!”, enquanto aconchega os caracóis, e chama “príncipes” e “princesas” a crianças normais e ensonadas? As mães!

E quem é que sai mais cedo do trabalho e, cidade acima/cidade baixo, anda numa “roda viva” entre a escola, a piscina, o inglês, o futebol e a música, e transforma o porta-bagagens dum automóvel numa parafernália de mochilas, flautas, chuteiras, lanches, touca, toalha e óculos, e ainda tem tempo para as perguntas mais tolas que só as pessoas bondosas conseguem fazer (como, por exemplo: “ Como é que correu a escola?” ou “O que foi o almoço”) e – oh canseira! – fica parecida com a Cruela sempre que uma criança responde: “correu bem” ou “não me lembro”?… As mães!

E quem é que, depois do trabalho, barafusta o tempo todo contra os trabalhos de casa mas que, ainda assim, franze a sobrancelha e – com um orgulho mal disfarçado – diz, num tom solene mas, todavia, aconchegado: “Eu não sei como é… Se eu não estiver sempre ali ao pé, ele não faz nada!…”? As mães?

E quem é que tem a mania de dizer: “O meu filho não gosta de ser contrariado!” para justificar as 200 vezes que se chama uma criança para saltar para o banho, as outras 200 que são precisas para a convencer a deixar os desenhos animados para vir jantar, não esquecendo mais 200 suplementares em que repete, devagarinho: “Come a sopa!” e acaba a ribombar: “Despachas-te ou não?…” antes de lhe dizer: “Abre lá essa boca, já!” (enquanto despeja as últimas colheres de sopa pelas goelas dum filho)? As mães!
E quem é que, diante do lado mais demagógico duma criança (quando diz “Eu não sei” ou – “à Calimero” – se lamenta: “Eu não faço nada bem feito”) começa devagarinho: “Oh, meu pequenino: não sejas pateta… Vá… A mãe gosta tanto de ti!…” e, quando os interessados esperariam que em direitos adquiridos nunca se mexesse, e insistem só com mais um “não sou capaz” (é só mais um…) acaba a berrar, num tom amigo dos trovões: “Mas onde é que tu tens a cabeça?…” As mães!

E quem é que faz o jantar, e tem a mania de achar que a sopa é importante, e que o peixe torna as crianças inteligentes, e que os vegetais fazem os meninos crescer, e as cenouras tornam os olhos bonitos, e as batatas fritas não prestam, e que a Coca-Cola torna as crianças mais redondinhas, e que o açúcar faz cair os dentes, e não deixa comer bolachas antes do jantar, nem pizza dia sim/dia sim? As mães!

E quem é que, enquanto apanha os brinquedos que se atropelam pelo chão, mais a roupa que se amontoa na cadeira, mais a outra que se escondeu, (por iniciativa própria, logo se vê…) atrás do armário, e fiscaliza a mochila e os cadernos, e põe a roupa, esticadinha, para o dia que lá vem, e descobre pacotes de leite vazio onde não deviam estar, e embalagens de bolachas que – vá lá saber-se porquê – se refugiam no quarto das crianças, e enquanto arruma tudo, um dia atrás do outro, repete e repete e repete: “Mas será que tu nunca arrumas nada, é?..” E quem é que nos seus piores dias de arrumadeira, pergunta, com um desvario quase sindical: “Mas achas que há empregadas cá em casa, é?…” As mães!

E quem é que vai à escola e, enquanto conversa com as outras mães sobre os caprichos das crianças (como se fossem toques muito pessoais que a personalidade “muito vincada” de cada uma as leva a ter) se prepara para ser repreendida, por alguns professores, e tem de ouvir: “ Mas… está tudo bem lá por casa?” (sempre que as crianças acham enfadonhas muitas aulas, por exemplo) ou, nas alturas de pior karma, é advertida para a necessidade de dar mais apoio à pequenada “porque eu tenho 28 alunos e não chego para tudo?…” As mães!

E quem é que não perde a compostura e, antes de fingir que deita os olhos para a televisão, enquanto pestaneja, ainda se esparrama na cama e conta histórias e, para se desintoxicar do papel de “chata oficial lá de casa”, sente que aqueles minutos de namoro, antes do sono, são os únicos em que não tem de ser mandona e refilona e tudo o mais que toda a gente espera que só as mães consigam ser e, quando dá conta, adormeceu, mais outra vez, na cama de um dos filhos, e é repreendida (e muito bem…) por esse desvario? As mães, claro.

Mas, afinal, o que é querem mais das mães? Que elas não se esgotem? Que não exijam ter o direito a ser mimadas e, por mais que ninguém diga isso, que queiram, pelo menos, mais um miligrama de amor e outro de carinho do que aqueles que as crianças dão ao pai? E que não sejam vaidosas? E que sejam discretas e se anulem com se o aquilo que mais desejassem é que ninguém desse por elas?

Por isso mesmo, que em relação a tudo o resto seja “ano nova, vida nova”, ainda vá. Mas em relação ao jeito muito especial de todas as mães eu espero é que nada deixe de ser como é. É claro que ninguém tem dúvidas que as mães “estragam” as crianças, sim! Mas que não haja quem ouse imaginar que as queremos doutro modo. Nós – os filhos, os pais e os avós, todos juntos, adoramos – no fundo – que elas sejam assim!
 Eduardo Sá
(pronto... de repentemente senti-me absolutamente normal... )

05 janeiro 2016

...para quem esteja na disposição de ver, há museus em toda a parte, tudo pode ser um museu...


BENS DE CONSUMO
Sob as luzes demasiado brancas dos supermercados, aprendem-se grandes lições. Só raramente os roteiros turísticos incluem visitas a supermercados, ainda assim, há muita informação que não se encontra em monumentos. Para o visitante interessado e atento, os supermercados são retratos da economia, da gastronomia, de inúmeras faces da cultura real, da identidade de um país.

Nessas prateleiras, estão os produtos tradicionais, consequências da história, mas também está aquela pasta de dentes com uma embalagem amarela e preta, fórmula química e industrial que todos os portugueses de certa idade recordam, publicitada durante anos na televisão. Ou, mesmo ao lado, está o restaurador capilar Olex, símbolo de uma época, frase publicitária lembrada por tantos que, nesse tempo, estavam longe de ter falta de cabelo. E é possível sentir saudades daqueles carrinhos de linhas, daqueles rebuçados para a tosse ou daqueles algodões para limpar os dourados e os prateados.

Nos anos oitenta, eu ia à mercearia. Com o dinheiro trocado, notas e moedas, pedia o que levava escrito num papel. O balcão tinha um tampo de mármore e chegava-me à altura do peito. Enquanto a senhora Dalila procurava o que lhe pedia, eu ficava a olhar para os brinquedos que estavam expostos, se fosse perto do Natal, havia comboios a pilhas e guarda-chuvas de chocolate; havia fotografias de gelados nos meses do verão. Não era habitual que a conta incluísse essas extravagâncias, mas olhar para elas também tinha valor, também me alimentava o desejo.

Depois, quando chegaram os hipermercados a Portugal, a minha família e eu surpreendíamo-nos com os preços de tudo, as promoções eram loucas e enlouqueciam-nos. Ao longo de corredores, eu empurrava carros com pilhas de detergente para a roupa, tínhamos de aproveitar a viagem. No parque de estacionamento, só o meu pai, com grande arte, conseguia encontrar espaço no porta-bagagens para todas as compras que fazíamos a pensar no mês seguinte, pelo menos. Voltávamos para casa com as vozes dos altifalantes a ecoarem-nos na cabeça, alguém precisava de ir à caixa número não-sei-quantos, alguém precisava de ir com muita urgência e repetidamente à caixa número não-sei-quantos.

Hoje é tudo igual? Não concordo. Uma Coca-Cola com o rótulo em alfabeto cirílico, mandarim, árabe ou hindi tem muita diferença de uma Coca-Cola com o rótulo em inglês, Coke comprada numa loja de conveniência em Manhattan. Mesmo que a composição seja exatamente a mesma, o sabor será tão distinto como o cenário, o preço ou a história que essa bebida possui naquele lugar, o que representa ali.

Para quem esteja na disposição de ver, há museus em toda a parte, tudo pode ser um museu.

Pasta medicinal Couto, a minha mãe ainda prefere essa marca. Atualmente, dá-se a grandes trabalhos para achá-la, mas vale sempre a pena.

Sentiremos saudades de muitas coisas que hoje parecem banais. Nada é suficientemente industrializado ou massificado a ponto de não poder ser recordado com nostalgia. Essa saudade somos nós, é o próprio tempo.

por José Luís Peixoto, in Revista UP

04 janeiro 2016

...quero janelas abertas e o sol a entrar...






...SOU FELIZ...


( apesar do temporal lá fora... a malta habitua-se a um Outono com médias superiores a 15 ºC e a andar de manga curta em Dezembro e uma chuvinha de Inverno causa logo grandes confusões...)

01 janeiro 2016

...balançar...

...este ano que passou, mal tive tempo de fazer o registo do meu "balanço" de ano. Em termos profissionais, como sempre, houve algumas coisas negativas - que espero melhorar (afinal, é para isso que servem estes balanços de fim de época!!) - e houve algumas positivas, principalmente em termos de relacionamento pessoal e resultados finais. 

O incentivar os meus meninos a tentarem atingir algumas metas (como uma média final de 14, que não lhes feche a porta a futuras pós-gaduações), fez com que alguns, que inicialmente estariam classificados no grupo dos alunos mais fracos, fizessem grandes esforços por aprovar e obterem classificações acima de dez valores. Cerca de dez por cento - mas isso já me deixa satisfeita. 
Em algumas turmas, especialmente numa delas, a coisa não correu tão bem - embora eu não consiga perceber bem o motivo. Deve ser culpa minha, confesso...

Em termos de trabalhos finais, fiquei muito surpreendida (e orgulhosa, até!!) com o desempenho excelente de duas alunas. E soube que um ex-aluno, com um excelente trabalho de estágio e mestrado obteve uma bolsa. São estas pequenas coisas que me ajudam a querer vir trabalhar. Isto e ter colegas fantásticos, que me têm ajudado nos últimos meses a solucionar uma série de problemas (claro que há sempre "cascas de banana", mas aprendemos a não cair ou a levantarmo-nos ainda mais fortes).

Quanto a projetos... tive uma melhor classificação que alguns outros semelhantes, que tiveram muito mais tempo para elaborar o projeto. Não estou feliz por não terem (termos) sido financiados, obviamente; apenas estou um bocadinho contente com a avaliação, embora não servisse para muito, confesso. E com isto, a equipa que estava a trabalhar bem desmembrou-se... como aconteceu com outras!


Em termos pessoais, houve tantas mudanças em tão pouco tempo, que ainda estou a tentar equilibrar-me no meio deste turbilhão. Mas os sorrisos, os abraços, as novidades diárias e o olhar feliz não deixam margem para não querer enfrentar todas as dificuldades que têm aparecido. E não são essas sombras que me vão perturbar a minha felicidade... sim, porque independentemente do caminho, a minha escolha é sermos felizes... 

No meio disto tudo, deu para perceber com quem posso contar - quem consegue arranjar tempo para dizer "estou aqui, podes contar comigo!" mesmo alterando por completo as prioridades, das pessoas para quem sou indiferente e são incapazes de arranjar tempo para um café. Houve uma reorganização status e de vida... porque, como sempre se disse "em terra de bom viver, faz como vês fazer"...





...Feliz 2016...






30 dezembro 2015

...por mais que o amor prevaleça...




 ...gostaria de estar por Lisboa, amanhã... mas não posso ter tudo...

...tento entender o rumo que a vida nos faz tomar...




 ...quando a nossa Vida muda radicalmente em breves minutos... e desta vez, ao que parece, para melhor...

29 dezembro 2015

...the real world...



...ou como dizia o banqueirozinho Ulrich, relativamente aos contribuintes terem que suportar este fardo imposto pelos corruptos que assolam este maravilhoso país: "ai aguenta, aguenta"...

...nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...



Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.



Clarice Lispector





...a propósito das minhas conversas de "confessionário" e dos meus pensamentos dos últimos tempos, tentando perceber algumas atitudes... creio que consegui... a vida continua... e obrigado áqueles que me aceitam com a minha lista enorme de defeitos, sem exigir que deixe de ser eu...

28 dezembro 2015

...e sinto-me feliz por nada, por tudo...


 




Quantas Vezes a Insónia é um Dom

Mas quantas vezes a insónia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.

Clarice Lispector, in Crónicas no 'Jornal do Brasil (1968)'

...me...






...tão eu...

27 dezembro 2015

...hapinesss (or not)...





...nenhuma vida é perfeita - há sempre momentos de dor, de amargura, há sempre problemas a enfrentar. Contudo, algumas das pessoas que deveriam sentir gratidão pela pessoa fabulosa que têm ao seu lado, pela família, pela forma como todos continuam a girar ao seu redor, porque são importantes, passam o tempo a ver a vida em tons de cinza muito escuro e negro. Nada lhes traz um sorriso, nada é bom... e são incapazes de ver os outros felizes. Há pessoas que parece que nasceram velhas. E para quem a vida é um calvário.
Nessas alturas, ocorrem alterações psicossomáticas e aparecem sintomas de doença aguda, para se sentirem o centro das atenções. Ao seu lado, existem pessoas com patologias crónicas que se vão aguentando. E há algumas pessoas que têm vidas tão complicadas e mantém uma boa disposição invejável!! Na passada semana estive com alguns amigos assim, que me ajudam a ver a vida colorida de todas as cores. A felicidade é uma escolha nossa (e depende muito de quem nos rodeamos)...







“The mind is a superb instrument if used rightly. Used wrongly, however, it becomes very destructive. To put it more accurately, it is not so much that you use your mind wrongly—you usually don't use it at all. It uses you. All the things that truly matter — beauty, love, creativity, joy, inner peace — arise from beyond the mind...” ―Eckhart Tolle

...já passou...




...aqui por casa, o novo habitante é fã da Elza e da Anna. E este filme da Disney, que agora tem passado repetidas vezes cá por casa, tem muito da vida real de muita gente (e da minha vida também): o ser-se diferente e ter-se medo de enfrentar aquilo que nos torna diferente e especial - e tentarmos isolar-nos do mundo, à procura do nosso lugarzinho, até percebermos que o Amor (no sentido mais lato do termo, os verdadeiros actos de amor) é que nos resgata; a procura quase desesperada pelo "verdadeiro amor" e encontrar alguém com quem aparentemente nos identificamos, com quem há aparentemente uma enorme cumplicidade, as ditas "almas gémeas", e percebermos que afinal não passou de uma enorme mentira. Mas, ter a capacidade de perceber que afinal há outras pessoas que nos amam verdadeiramente e são capazes de tudo por nós...

...Karma...




...porque acredito que o que nos está destinado virá até nós, um dia, quando menos o esperarmos... e porque aquilo que vivemos e somos depende do que fizemos com os/aos outros...



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- (...) Sinto que estamos destinados a fazer alguma coisa juntos. Não sei o quê, mas sinto que é o nosso karma. Não poderemos fazê-lo nesta vida, possivelmente será noutra reencarnação - disse o Rei, sem se atrever a tocá-la.
- Noutra vida? Quando?
- Dentro de cem, de mil anos, não importa, de qualquer forma a vida do espírito é uma só. A vida do corpo, pelo contrário, decorre como um sonho efémero, é pura ilusão - respondeu o Rei.
Judit voltou-lhe as costas, olhando fixamente para a parede, de modo que o Rei não conseguia ver-lhe o rosto. O monarca calculou que ela estava perturbada, tal como ele.
- Você não me conhece, não sabe como sou - acabou ela por murmurar.
- Não consigo ler a sua aura nem a sua mente como desejaria, Judit, mas posso apreciar a sua inteligência clara, a sua grande cultura, o seu respeito pela natureza...
- Mas não me pode ver por dentro!
- No seu íntimo só pode haver beleza e lealdade - assegurou-lhe o monarca.
- A inscrição do seu medalhão sugere que a mudança é possível. Você acredita realmente nisso, Dorji? Podemos transformar-nos totalmente? - perguntou Judit, olhando-o nos olhos.
- A única coisa verdadeira é que, neste mundo, tudo muda constantemente, Judit. A mudança é inevitável, uma vez que tudo é temporário. No entanto, custa-nos muito, aos seres humanos, modificar a nossa essência e evoluir para um estádio superior de consciência.
Isabel Allende in "O Reino do Dragão de Ouro"

...embora nenhum sonho possa ter habitantes tu...




Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituisse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo. 


Nuno Júdice

...as viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar...


Nada é Certo


Ninguém avança pela vida em linha recta. Muitas vezes, não paramos nas estações indicadas no horário. Por vezes, saímos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como pó. As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar. No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem número de vidas no decurso da sua estadia cá em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelutavelmente para trás, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem é para sempre insondável. É absolutamente impossível que alguém conte a história toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.

Henry Miller, in "O Mundo do Sexo" 

... continuou seu canto, pela felicidade de um amigo...

Era uma vez, um Rouxinol que vivia em um jardim. No jardim havia uma casa, cuja janela se abria todas as manhãs. Na janela, um jovem, comia pão, olhando as belezas do jardim. Sempre deixava cair farelos de pão, sobre a janela. O Rouxinol, comia os farelos,acreditando que o jovem os deixava de propósito para ele. Assim criou um grande afeto, pelo jovem que se importava em alimentá-lo, mesmo com migalhas.

O jovem um dia se apaixonou. Ao se declarar a sua amada, ela disse que só aceitaria seu amor, se como prova, ele desse a ela, na manhã seguinte, uma Rosa vermelha. O jovem, percorreu todas as floriculturas da cidade, sua busca foi em vão, não encontrou nenhuma Rosa para ofertar a sua amada. Triste, desolado, o jovem foi falar com o jardineiro da casa onde vivia. O jardineiro explicou a ele, que poderia presenteá-la com Petúnias, Violetas, Cravos, menos Rosas. Elas estavam fora de época, era impossível consegui-las, naquela estação.O Rouxinol, que escutara a conversa, ficou penalizado pela desolação do jovem, teria que fazer algo para ajudar seu amigo, a conseguir a flor. 

Assim, a ave procurou o Deus dos pássaros que assim falou:

- Na verdade, você pode conseguir uma Rosa Vermelha para teu amigo, mas o sacrifício é grande, e pode custar- lhe a vida! 

- Não importa respondeu a ave. O que devo fazer? 

- Bem, você terá que se emaranhar em uma roseira, e ali cantar a noite toda, sem parar, o esforço é muito grande, seu peito pode não aguentar. 

- Assim farei, respondeu a ave, é para a felicidade de um amigo!

Quando escureceu, o Rouxinol, se emaranhou em meio a uma roseira, que ficava frente a janela do jovem. Ali, se pôs a cantar, seu canto mais alegre, precisava caprichar na formação da flor.Um grande espinho, começou a entrar no peito do Rouxinol, quanto mais ele cantava, mais o espinho entrava em seu peito. O rouxinol não parou, continuou seu canto, pela felicidade de um amigo, um canto que simbolizava gratidão, amizade. Um canto de doação, mesmo que fosse da própria vida!

Do peito da pobre ave, começou a escorrer sangue, que foi se acumulando sobre o galho da roseira, mas ela não se deteve nem se entristeceu.

Pela manhã, ao abrir a janela, o jovem se deteve diante da mais linda Rosa vermelha, formada pelo sangue da ave, nem questionou o milagre, apenas colheu a Rosa. 

Ao olhar o corpo inerte da pobre ave, o jovem disse:

- Que ave estúpida! Tendo tantas árvores para cantar, foi se enfiar justamente em meio a roseira que tem espinhos, pelo menos agora dormirei melhor, sem ter que escutar seu canto chato.


Moral da história: Cada um, dá o que tem no coração,
cada um recebe com o coração que tem.....


Adaptação de um conto de Oscar Wilde 

26 dezembro 2015

...cada um dá do que tem...

...um destes dias, em conversa com uma amiga, falava destes encontros e desencontros da Vida - de como algumas pessoas em quem confiava e tratei como amigos afinal não passaram de erros... a resposta dela foi: "deixa lá, precisamos de cometer erros para aprender. E não te preocupes: cada um dá do que tem no coração. E se alguém perdeu, quem mais perdeu, não foste tu."

Acredito que a vida coloca tudo no seu lugar, no tempo devido. E talvez a minha amiga tenha razão no que me disse... faz sentido no meu Sistema Solar...