30 setembro 2006

Prece

Não vejo ninguem nas estradas
Os campos desertos de gente
No mar já quase não se vê água
No céu o ar morre de quente

Deixamos que o nada viesse
Do nada que tinhamos dentro
Quisemos ser donos de tudo
Fechamos as portas ao vento

E se já não formos nós,
Porque o tempo não deixou,
A fazer, o que a ser feito,
Nos unisse pelo amor,
Uma prece aqui deixamos
No peito dos nossos filhos
Sejam bem melhores que nós
E perdoem por favor

A esperança caiu da montanha
De vidas há muito esquecidas
O amor queimou-se nas fogueiras
Que ardem por terras prometidas

Não queremos ver o fim da estrada
Adivinhar o fim da vida
Nascemos a troco de nada
Não queremos dá-la por vencida

- Luís Represas -

2 comentários:

Anónimo disse...

Esta é uma das minhas preferidas...
e que raramente se ouve tem uma letra linda,o Luis Represas já a cantou num concerto... mas é raro!

Beijinho,

Lila

Anónimo disse...

não é uma das minhas preferidas... mas ouvi-a a caminho de casa na 6a feira... e tinha a ver com o que vinha a pensar... mas há coisas que nem a prece do mundo inteiro consegue mudar...