09 outubro 2006

Ad Eternum (Para sempre)

Às vezes amar é deixar que outro corpo tome o corpo de quem desejamos
Para podermos ficar com o seu espírito, para sempre.
Entrarmos nesse espírito, nesse momento.
Nesse local que poucos conhecemos e menos penetramos
E viver um pouco nos suspiros que ouvimos em sonhos
E perceber nesses suspiros o nosso nome
Mesmo quando o corpo é já de outrém

Às vezes amar é deixar que quem amamos seja livre
Se a quisermos prender para todo o sempre
Deixar o corpo neste plano, no plano onde somos sombras
E tocar luz com luz, como o fizemos, e sempre faremos
Quando encontramos a que nos foi prometida
No momento em que os deuses perderam a batalha com os demónios
No momento em que nos separámos a primeira vez.

Às vezes amar é só pensar em quem se ama.
Calar o que não devemos dizer, e dizer o que não queremos
Deixar em liberdade quem queremos prisioneira
Para que a possamos ter cativa livremente e para sempre.
Sabendo que a encontraremos
Noutro tempo, noutro local, noutro corpo
No mesmo amor eterno e envolvente.

Alberto Malheiro

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá!
Passei por aqui só para te agradecer por estreares os comentários do meu blog.
Penso não ser a pessoa a que te referes do fórum, embora faça parte.
Beijinhos

Anónimo disse...

Afinal sou mesmo eu...
É que, como nunca escrevi nada, achei que me estavas a confundir com outra pessoa. :-)