...agora, caminho por esta manhã deserta...

mais Peixoto...
"A memória como uma maldição. Caímos na eternidade e a memória é um peso, continua a prender-nos em qualquer ponto para onde nunca poderemos voltar. Ó lua, ó luar, /eu fi-lo nascer/ ajuda-mo tu a criar. A memória é como a esperança da minha mãe na noite em que me ergueu à lua e, sem saber, me escolheu um destino. Lembro-me de quando nos conhecemos e esse dia está debaixo do teu olhar e desta noite. Lembro-me da minha mão pousada sobre a tua e esse instante está debaixo da palavra solidão. Lembro-me de tantas coisas impossíveis. Agora, caminho por esta manhã deserta."
José Luis Peixoto
excerto de "Lunar", in Antídoto




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