31 agosto 2008

...a mudança é inevitável, uma vez que tudo é temporário...




- (...) Sinto que estamos destinados a fazer alguma coisa juntos. Não sei o quê, mas sinto que é o nosso karma. Não poderemos fazê-lo nesta vida, possivelmente será noutra reencarnação - disse o Rei, sem se atrever a tocá-la.

- Noutra vida? Quando?

- Dentro de cem, de mil anos, não importa, de qualquer forma a vida do espírito é uma só. A vida do corpo, pelo contrário, decorre como um sonho efémero, é pura ilusão - respondeu o Rei.

Judit voltou-lhe as costas, olhando fixamente para a parede, de modo que o Rei não conseguia ver-lhe o rosto. O monarca calculou que ela estava perturbada, tal como ele.

- Você não me conhece, não sabe como sou - acabou ela por murmurar.

- Não consigo ler a sua aura nem a sua mente como desejaria, Judit, mas posso apreciar a sua inteligência clara, a sua grande cultura, o seu respeito pela natureza...

- Mas não me pode ver por dentro!

- No seu íntimo só pode haver beleza e lealdade - assegurou-lhe o monarca.

- A inscrição do seu medalhão sugere que a mudança é possível. Você acredita realmente nisso, Dorji? Podemos transformar-nos totalmente? - perguntou Judit, olhando-o nos olhos.

- A única coisa verdadeira é que, neste mundo, tudo muda constantemente, Judit. A mudança é inevitável, uma vez que tudo é temporário. No entanto, custa-nos muito, aos seres humanos, modificar a nossa essência e evoluir para um estádio superior de consciência.



Isabel Allende
in "O Reino do Dragão de Ouro"
...afinal, Judit não era assim uma alma tão pura... embora o livro não o indique, talvez tenha aproveitado o tempo que lhe restava nessa vida para melhorar algumas coisas... afinal, o importante é conseguirmos mudar, aprendendo com os erros que vamos cometendo...

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