13 setembro 2008

...mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha...




(...) Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?(...)


Excerto do livro "Fazes-me falta" de Inês Pedrosa




...fazes-me falta... mas nada irá mudar isto -afinal, os milagres parece que só acontecem nos filmes, nos livros ou na vida dos outros... mais do que tudo, sinto a falta dos teus abraços, que me faziam sentir que tudo estava bem, mesmo quando o mundo desabava à minha volta... como hoje, em que os velhos fantasmas regressaram... e nada faz sentido... e há coisas que por mais que lute e tente mudar, não consigo... e não me consigo resignar... e o pior é que já nada há a fazer, e cada dia é mais difícil seguir... e nem o muito trabalho consegue tirar-me tempo para pensar nesta merda de vida...

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