...o cume da verdade...
"Centímetro a centímetro, palmo a palmo, o cavaleiro ia subindo, os dedos ensanguentados por ter de se agarrar às pedras afiadas. Quando estava quase a atingir o topo viu-se bloqueado por uma enorme pedra arredondada. Como seria de esperar, a pedra tinha uma inscrição gravada:
"Embora tenha o Universo
nada posso afirmar ter,
pois o desconhecido não posso conhecer
se me agarrar ao que já conheço"
O cavaleiro inspirou profundamente o que, de algum modo, aclarou o seu espírito. A seguir leu a última parte da inscrição em voz alta:
"pois o desconhecido não posso conhecer, se me agarrar ao que já conheço."
O cavaleiro considerou algumas das "coisas conhecidas" a que se agarrou durante toda a sua vida. Havia a sua identidade - quem ele julgava ser e quem julgava não ser. Havia aquilo em que acreditava - aquelas coisas que ele acreditava serem verdadeiras e aquelas que acreditava serem falsas. E havia as suas avaliações - as coisas que considerava boas e aquelas que considerava más.
O cavaleiro levantou os olhos para a pedra e confrontou-se com um pensamento terrível: a pedra através da qual se agarrava à vida, cada vez mais preciosa, era-lhe também conhecida.
Será que a inscrição quereria dizer que ele teria de largar tudo e caír no abismo do desconhecido?
in "O Cavaleiro Da Armadura Enferrujada - Robert Fisher"





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