09 setembro 2008

...quase morri das lágrimas que não chorei...




Ésquilo e Rebecca observaram o cavaleiro cair de joelhos, com lágrimas de gratidão escorrendo-lhe dos olhos. «Quase morri das lágrimas que não chorei», pensava. As lágrimas deslizavam pelo rosto, através da barba, até ao peito. E porque provinham do seu coração, eram extraordinariamente quentes e depressa derreteram o que restava da armadura.
O cavaleiro chorou de alegria. Não voltaria a colocar a armadura e cavalgar numa direcção qualquer. As pessoas não voltariam a ver o reflexo cintilante do aço, pensando estarem a ver o raiar do Sol a norte ou o ocaso a oriente.
Sorriu através das lágrimas, sem se dar conta de que uma luz nova, e radiante, emanava agora do seu ser e uma luz muito mais brilhante e mais bela do que a da sua armadura polida, uma vez resplandecente, como um ribeiro, cintilante como a Lua, ofuscante como o Sol.
Pois, em verdade, o cavaleiro era o ribeiro. Ele era a Lua. Ele era o Sol. Podia agora ser todas essas coisas ao mesmo tempo, e mais ainda, porque estava em uníssono com o universo.
Ele era amor.



Robert Fischer
in O Cavaleiro da Armadura Enferrujada

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