22 maio 2009

...a queda...




Na mitologia grega, Ícaro ficou famoso pela sua morte por cair no Egeu quando a cera segurando suas asas artificiais derreteu.

Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas. Um dos maiores feitos de Dédalo foi o labirinto do palácio do rei Minos de Creta, para aprisionar o Minotauro. Por ter ajudado Ariadne, a filha de Minos a fugir com Teseu, Dédalo provocou a ira do rei que, como punição, ordenou que Dédalo e seu filho fossem jogados no labirinto.

Dédalo sabia que sua prisão era intransponível, e que Minos controlava mar e terra, sendo impossível escapar por estes meios. "Minos controla a terra e o mar", teria dito Dédalo, "mas não as regiões do ar. Tentarei este meio".

Dédalo projetou asas, juntando penas de aves de vários tamanhos, amarrando-as com fios e fixando-as com cera, para que não se descolassem. Foi moldando com as mãos e com ajuda de Ícaro, de forma que as asas se tornassem perfeitas como as das aves. Estando o trabalho pronto, o artista, agitando suas asas, se viu suspenso no ar. Equipou seu filho e o ensinou a voar. Então, antes do vôo final, advertiu seu filho de que deveriam voar a uma altura média, nem tão próximo ao Sol, para que o calor não derretesse a cera que colava as penas, nem tão baixo, para que o mar não pudesse molhá-las. Dédalo levantou voo e foi seguido por Ícaro.

Eles primeiramente se sentiram como deuses que haviam dominado o ar. Passaram por Samos, Delos e Lebinto.

Ícaro deslumbrou-se com a bela imagem do Sol e, sentindo-se atraído, voou em sua direção esquecendo-se das orientações de seu pai, talvez inebriado pela sensação de liberdade e poder. A cera de suas asas começou rapidamente a derreter e logo caiu no mar. Quando Dédalo notou que seu filho não o acompanhava mais, gritou: "Ícaro, Ícaro, onde você está?". Logo depois, viu as penas das asas de Ícaro flutuando no mar. Lamentando suas próprias habilidades, enterrou o corpo numa ilha e chamou-a de Icaria em memória a seu filho.


in Wikipédia





...sempre gostei da Civilização Grega, desde que me lembre, e houve algumas lendas, de deuses, semideuses e heróis que desde cedo me marcaram... a queda de Ícaro, o jovem tolo que se sentiu atraído pela luz do Sol e voou, com as suas asas feitas de penas e cera, até demasiado próximo do corpo celeste, apesar do perigo e dos avisos, sempre me fez pensar bastante... olho para o lado, especialmente nos últimos 6/7 anos, e vejo bastante gente que fica encadeada pela luz das "estrelas". Mal se apresentam, ou no inicio de qualquer conversa, têm necessidade de referir que viram, ou conhecem A ou B, e especialmente se tiverem o número de telemóvel, ou se os encontraram em qualquer local, ou se trocaram meia dúzia de palavras, sentem-se "iluminados", porque foram tocados pelos seus "deuses". Infelizmente, sempre vi esses deuses sob o seu lado humano - com qualidades e defeitos, uns mais outros menos, obviamente. E adorar esses "deuses" sempre esteve fora do meu alcance. Se gostar do espectáculo, sou a "1a" a dizer "sim, senhor!! gostei!!! parabéns!!", mas se não gostar, sinto-me inteiramente livre para dizer "fizeram isto e isto de errado, não gostei, podiam ter feito melhor". É assim que eu sou, perante as "estrelas" ou perante quem quer que seja ("porque eu não me rendo, porque eu não me vendo, nem por ideiais nem por dinheiro).
É pena, que nos dias que correm, a maioria das pessoas não consiga distinguir críticas construtivas (quanto a mim, sempre bem vindas), de críticas destrutivas. De facto é mais simples recebermos grandes elogios e dizerem-nos que fomos muito bons, somos a 8ª maravilha da natureza, do que nos dizerem que estamos errados em alguns aspectos e que devemos melhorar. Parece que a ditadura política passou (dizem...), mas as mentalidades não mudaram... e especialmente, muitos homens "de Abril" (ou que se aproveitaram da revolução para "subirem") continuam a considerar-se "perfeitos e intocáveis"... e o pior é que isso propaga-se aos mais jovens e fazer qualquer crítica é um crime ("porque destrói a auto-estima")...

...e isto é a propósito de uma série de coisas dos últimos tempos (semanas, meses, anos...), nomeadamente, no campo das estrelas... felizmente, nunca me encandeei pela sua luz, nem me senti limitada nas minhas opiniões... e, felizmente, a minha vida sempre foi muito mais do que ser "admiradora de", e vai muito mais além do nascimento do filho ou do baptizado, do casamento, do divórcio, das revistas em que aparecem, do local onde jantam, onde compram a roupa, onde vivem... felizmente tenho vida própria (e bem agitada), não preciso de me imaginar a viver uma vida imaginária, com amigos imaginários, para me sentir bem... até porque, com raras excepções, essas estrelas, vistas de mais perto, são um pouco (de)cadentes...





1 comentário:

Mafalda disse...

Gostei muito... e por ignorância minha não conhecia a historia do Icaro *