17 maio 2009

...um dia em que não há mais passado para contar nem mais futuro para viver...







E chega um dia em que reconhecemos
finalmente
a injustiça das palavras -
exactamente as mesmas
para quem vai e para quem fica

um dia
em que não há mais passado para contar
nem mais futuro para viver

apenas uma velha cantiga de embalar
uma casa desaparecida
e este limbo ocasional
onde o corpo
espera que anoiteça

Alice Vieira
in "O que dói às aves"

(é assim que me sinto... parada no tempo, no perfeito vazio...)

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