01 junho 2009

...5as feiras carregadas de sonhos...







...já que estou dedicada às minhas lembranças da infância, lembro-me que desde pequenita, para além da "janela mágica", que era o televisor a preto e branco, primeiro em casa dos meus avós, e depois de 1975 em nossa casa, a minha companhia eram os livros. A minha mãe gastava o dinheiro do abono de família, quando o começou a receber, a comprar coisas para mim e para a minha irmã -brinquedos, livros...(que na altura não era muito, mas era sempre uma festa receber presentes...).



A minha primeira colecção de livros foram "Os Cinco" da Enid Blyton... li e reli dezenas de vezes, os (então) 21 livros da colecção, relatando as aventuras da Zé, da Ana, do David e do Júlio, e obviamente do fabuloso Tim, o cão mais corajoso e inteligente que conheci em toda a minha vida. Um destes dias encontrei-os quase todos no sotão de casa dos meus pais, numa caixa, a maioria já colados com fita-cola, de tão lidos e relidos que foram durante 4 ou 5 anos... encontrei também 2 ou 3 da outra colecção da Enid Blyton, "os Sete" e das gémeas, mas os Cinco eram os meus preferidos, sem dúvida. O curioso é que, já tinha uns 6 anos quando descobri o Noddy (e já lia livritos desde os meus 5 anos, ensinada pelos meus pais que tinham apenas a 4ª classe e uma enorme dose de paciência... e felizmente, com uma abertura muito maior que os meus avós, sempre nos incentivaram a estudar, apesar da vida difícil que tinham...). Essa descoberta ocorreu na Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian, numa das 5as feiras (a terceira 5a feira do mês), em que os 2 funcionários - um alto e com óculos de garrafa, mas bastante simpático, e outro mais baixo, forte e manco - colocavam a pequenada saída da escola em fila, apresentávamos o cartão e toca de subir para a carrinha, a escolher os livros para lermos durante o mês... como eu lia muito mais depressa que os meus colegas, acabava por ler os meus e mais uns quantos que lhes pedia emprestados... e lia-os várias vezes, que os 30 dias do mês custavam a passar... tenho saudades dessas 5as feiras, da emoção que era o ver chegar as carrinhas citroen cinzentas, carregadas de sonhos... e de facto, as Bibliotecas Itinerantes eram extremamente importantes para as terrinhas perdidas no meio do nada, como era a minha aldeia, refundida no interior do país...

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