...e o olhar se aperfeiçoa na ciência da ternura...

BENDITO ESTE TEMPO MOLE
Bendito este tempo mole
de Lisboa a Mansabá
manga figo guaraná
rota suave do sol
céu estrelado o meu lençol
entre cachaça e sangria
Bendita seja a baía
e a laranja sumarenta
coladera e marrabenta
sumo de mar maresia
preguiçosa epidemia
no coração da floresta
Bendita a hora da sesta
e o pecado tropical
da tua boca imoral
na minha boca imodesta
quando a noite desembesta
numa festa dos sentidos
Bendito o corpo oferecido
ao beijo da brisa quente
e as tuas mãos insolentes
tacteando o meu tecido
ao som do fado corrido
numa guitarra indolente
Bendito este tempo quente
em que a vontade se escoa
e o olhar se aperfeiçoa
na ciência da ternura
que trago presa à cintura
do fim do mundo a Lisboa




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