...mando um meiguinho chinez...
Meu querido bebezinho,
Hoje, com a quase certeza que o Osorio não te poderá encontrar, pois, além de ter que esperar aqui pelo Valladas, tem naturalmente que ir levar açúcar a casa de meu primo, quase que de nada me serve escrever-te. Vão, em todo o caso, estas linhas, para o caso de sempre ser possivel fazer-te chegar a carta às mãos. [...]
Não me conformo com a idéa de escrever; queria falar-te, ter-te sempre ao pé de mim, não ser necessário mandar-te cartas. As cartas são sinais de separação – sinais, pelo menos, pela necessidade de as escrevermos, de que estamos afastados.
Não te admires de certo laconismo nas minhas cartas. As cartas são para as pessoas a quem não interessa mais falar: para essas escrevo de boa vontade. A minha mãe, por exemplo, nunca escrevi de boa vontade, exatamente porque gosto muito dela.
Quero que sintas isto, que saibas que eu sinto e penso assim a este respeito, para não me achares seco, frio, indiferente. Eu não o sou, meu Bebe-menininho, minha almofadinha cor-de-rosa para pregar beijos (que grande disparate!)
Mando um meiguinho chinez.
E adeus até amanhã, meu anjo.
Um quarteirão de milhares de beijos do teu, sempre teu
Fernando
Em 23/03/1920
(...isto lembra-me umas coisas do passado... felizmente, nesta altura da minha vida, posso mesmo afirmar que esse passado é um país bem distante, porque não sento mágoa, apenas sorri ao lembrar algumas coisas boas, como o cd para usar em casos especiais, de muito sizo ou pouco riso, que encontrei também... acho que finalmente arrumei umas gavetas que teimavam em se desarrumar... e a vida continua mais risonha...)
Hoje, com a quase certeza que o Osorio não te poderá encontrar, pois, além de ter que esperar aqui pelo Valladas, tem naturalmente que ir levar açúcar a casa de meu primo, quase que de nada me serve escrever-te. Vão, em todo o caso, estas linhas, para o caso de sempre ser possivel fazer-te chegar a carta às mãos. [...]
Não me conformo com a idéa de escrever; queria falar-te, ter-te sempre ao pé de mim, não ser necessário mandar-te cartas. As cartas são sinais de separação – sinais, pelo menos, pela necessidade de as escrevermos, de que estamos afastados.
Não te admires de certo laconismo nas minhas cartas. As cartas são para as pessoas a quem não interessa mais falar: para essas escrevo de boa vontade. A minha mãe, por exemplo, nunca escrevi de boa vontade, exatamente porque gosto muito dela.
Quero que sintas isto, que saibas que eu sinto e penso assim a este respeito, para não me achares seco, frio, indiferente. Eu não o sou, meu Bebe-menininho, minha almofadinha cor-de-rosa para pregar beijos (que grande disparate!)
Mando um meiguinho chinez.
E adeus até amanhã, meu anjo.
Um quarteirão de milhares de beijos do teu, sempre teu
Fernando
Em 23/03/1920
(...isto lembra-me umas coisas do passado... felizmente, nesta altura da minha vida, posso mesmo afirmar que esse passado é um país bem distante, porque não sento mágoa, apenas sorri ao lembrar algumas coisas boas, como o cd para usar em casos especiais, de muito sizo ou pouco riso, que encontrei também... acho que finalmente arrumei umas gavetas que teimavam em se desarrumar... e a vida continua mais risonha...)





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