18 janeiro 2010

... e se não for nada disto, porque não celebrar o amor que sentimos por outra pessoa...


O convite

Estou cheia de vontade de ir a casamentos. Não só dos meus amigos que festejaram a nova lei, como dos que à minha volta se habituaram à vida em comum, esquecendo-se de que podia haver festa e damas de honor. Eu não quero voltar a casar, mas não nego à partida uma segunda experiência que ainda não tive…
Foi no meio desta febre dos casamentos gay, enquanto alguém num programa de televisão mostrava a sua troglodice dizendo: «É para ver se eles se calam…» Eles eram os gays – essa tribo à parte deste homem conhecido. Se eu fosse gay e seguidor da obra deste homem punha tudo no lixo nesse dia. (Há muito que o deixei de ouvir…) Dizia eu que foi no meio desta febre dos casamentos gay que li a notícia de que os portugueses estão a desenvolver muitas fobias (o mundo inteiro julgo), nós em particular em relação ao casamento. A essa fobia chamam-lhe gamofobia – os de direita podiam chamar-lhe gaymofobia… – mas esta fobia é indiscriminada em relação aos pares. Do que se tem medo aqui é mesmo do casamento: «Um receio obsessivo e irracional», segundo as palavras do psiquiatra ouvido pelo DN.


Fiquei a pensar na gamofobia e no que nos terá levado a tanto. E porque serão os de esquerda e «modernos» tão avessos a esta celebração… Reparem que eu falo aqui de esquerda e de direita, não me posicionando em nenhuma das frentes. Às vezes é tão redutor. Como na religião, eu acredito é na boa vontade dos homens. É essa que faz mudar o mundo. Ou não…


Quando algures escrevi esta mesma frase, de estar cheia de vontade de ir a casamentos, muitos ficaram atónitos, e eu mais varada fiquei com a reacção dos meus amigos. Como se de repente, por dizer que queria ir a casamentos, isso fizesse de mim careta. Desculpem?!


Eu casei-me apaixonada. E voltei a apaixonar-me, não me casando. Aceito com igual bonomia os dois estados. Se me casasse de novo, nem passava a mandar no meu sócio nem ele em mim, nem teríamos acesso às contas um do outro, como nunca tivemos até agora. As pessoas casam mas podem garantir a preservação da sua espécie, ou da sua individualidade. É só quererem. Mas ter acesso à conta do outro não quer dizer que se estenda uma trela ao parceiro… São só modos diferentes de nos orientarmos na vida. Mais uma vez, respeito ambos, apenas professando um.


O casamento não passou a ser careta. As pessoas é que passaram a ser caretas porque já não acreditam no amor. É uma pena mas aconteceu-nos. Vingámos a geração das nossas mães traídas e dos nossos pais hipócritas pondo em causa a validade de uma união. Mas a união tem a força que nós lhe quisermos dar. Insultos e agressões podem começar antes disso, está em nós não os permitir.
Eu percebo que se tenha medo do casamento quando ele representa opressão, desrespeito, mentira, mas e se não for nada disto, porque não celebrar o amor que sentimos por outra pessoa? E, meus amigos leitores, dure o tempo que durar! Já vos disse antes que a única coisa chata do meu casamento primeiro foi ter ficado com o «DIV» no BI durante muito tempo. Felizmente o Cartão do Cidadão (eficaz ou não) veio trazer uma nova dignidade aos divorciados do país.


Casar é tão bom como não casar. Podemos ser felizes em ambos os estados. Podemos amar ou maltratar havendo união formalizada ou não. E há palavras ditas no altar que se esboroam muito facilmente, mas essas também perdem o sentido dentro de casa, quanto mais no altar!
Reitero aqui o meu desejo para o novo ano, mesmo que voltem a dizer-me que só posso estar «doente»… Eu quero ir a muitos casamentos, eu quero ver os outros a festejarem aquilo em que acreditam no momento. Já não há promessas para a vida inteira, mas se não há, porque não sermos felizes agora?!


Oh God, make me good, but not yet!



Cidália Dias



(...isto a propósito de ultimamente ter vestido umas quantas vezes as roupinhas que levei aos casamentos de final de 2003 e 2004 - que continuam na moda, ainda mais este ano - e a propósito de umas conversas com 2 ou 3 amigas... mas estou cheia de vontade de ir a casamentos... dos outros!!!)

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