...Temos medo de pagar um preço alto pela diversão fora de tempo....Como se houvesse idade ou altura para sermos felizes...
O amor e as barragens
DIZEM QUE os rapazes novos gostam de mulheres maduras. E depois sabemos que os homens mais velhos se tomam de amores por raparigas mais novas. Percebi por fim por que há tantas trintonas solteiras…
Eu vejo muito encanto nos 30 – porque as mulheres crescem, lembram nostalgicamente a adolescência e algumas decidem voltar a ela… Outras, talvez pela proximidade dos 40, começam a coleccionar receitas e a descobrir que podem fazer camisolas ou almofadas.
Os homens aos 30 voltam a debruçar-se sobre o umbigo: é a idade da barriga e do ginásio. Traem, são traídos, separam-se, bebem cerveja e começam a gostar mais de vinho. Os homens aos 30 ficam mais tristes, as mulheres mais assanhadas. Deve ser também por isso que não coincidem.
As mulheres querem saber que idade tem o novo namorado da amiga. E se ela diz «31» tendo ela 32, é uma desilusão. Vidas normais sem chama. Nós queremos é que uma margem grossa entre os dois seja discutida ao jantar e que se façam palpites à medida que a garrafa avança: quanto tempo vai durar a relação? Com quem é que ele vai traí-la, como é que ela o vai caçar?...
Os homens talvez não tenham esta maledicência tão imediata. Os homens também querem saber a idade, mas sobretudo se é loira ou das outras (…) e se tem curvas. Já agora, o que é que faz. Porque o poder ou o dinheiro dela podem trazer problemas à camaradagem dos fins-de-semana. A autonomia de uma mulher põe em perigo a animação dos machos.
Nunca me lembro de alguma amiga ter perguntado o que fazia o «namorado» de uma de nós. Querem ver que as mulheres são mesmo românticas?
Eu, se ficasse solteira agora, não sabia muito bem para onde deveria olhar. Porque os mais novos de pele boa sabem menos e dá trabalho explicar-lhes tudo. Por outro lado, têm aquele ar fresco e os dentes brancos e dormem como se não houvesse amanhã. Eu tive alguns namorados que acordavam com um sorriso lindo que fazia esquecer algumas coisas, mas fora de casa podia ser constrangedor. Outros namorados tive que nunca acordaram. Há gente que dorme a vida toda…
Agora que reflicto sobre isto, penso que nunca experimentei devidamente a bancada sénior. Os tipos mais velhos podem ser aborrecidos com as desculpas dos filhos e do trabalho, não percebendo que enquanto estiverem de costas voltadas para a vida nenhuma desculpa os vai satisfazer. Eu acho que todos nós inventamos muitas razões para não nos divertirmos. Temos medo de pagar um preço alto pela diversão fora de tempo. (Como se houvesse idade ou altura para sermos felizes.)
Será que uma octogenária pode dizer que o marido – octogenário também – é imaturo? E o marido dirá que «ela nunca mais aprende»? Porque isto são coisas que dizemos a vida toda e quando estamos perto do fim ainda nos queixamos um do outro? Ainda nos acusamos mutuamente? Ainda nos agredimos com as nossas diferenças?
Não é preciso ir tão longe nas agendas dos dias futuros. A minha amiga de trinta-e-tais dirá que o seu namorado sexagenário é imaturo? E ele alguma vez se queixará de que ela é «chata»? As diferenças, ou pelos menos as acusações, diluem-se com o tempo? É que senão guardo-me para o amor mais tarde…
Sabem, hoje no táxi falava com o motorista sobre as barragens, o tempo e a agricultura. E eu disse ao bom homem que os nossos agricultores arriscam pouco. Ficam de braços cruzados a ver a intempérie levar-lhes o futuro e trazer-lhes os queixumes e a dor. Desconfio que não é só coisa dos agricultores. Desconfio que somos todos assim e no amor também. Ficamos de braços cruzados a assistir à batalha campal da diferença de géneros, arriscando pouco, fazendo pouco contra a ditadura do calendário.
Aceitamos a imaturidade dos homens, eles aceitam-nos a histeria desnecessária e ninguém se mexe muito do sofá. Excepção para as trintonas, claro, as tais que estão sozinhas e que gostam do rebuliço. A revolução será delas.
Oh God, make me good, but not yet
DIZEM QUE os rapazes novos gostam de mulheres maduras. E depois sabemos que os homens mais velhos se tomam de amores por raparigas mais novas. Percebi por fim por que há tantas trintonas solteiras…
Eu vejo muito encanto nos 30 – porque as mulheres crescem, lembram nostalgicamente a adolescência e algumas decidem voltar a ela… Outras, talvez pela proximidade dos 40, começam a coleccionar receitas e a descobrir que podem fazer camisolas ou almofadas.
Os homens aos 30 voltam a debruçar-se sobre o umbigo: é a idade da barriga e do ginásio. Traem, são traídos, separam-se, bebem cerveja e começam a gostar mais de vinho. Os homens aos 30 ficam mais tristes, as mulheres mais assanhadas. Deve ser também por isso que não coincidem.
As mulheres querem saber que idade tem o novo namorado da amiga. E se ela diz «31» tendo ela 32, é uma desilusão. Vidas normais sem chama. Nós queremos é que uma margem grossa entre os dois seja discutida ao jantar e que se façam palpites à medida que a garrafa avança: quanto tempo vai durar a relação? Com quem é que ele vai traí-la, como é que ela o vai caçar?...
Os homens talvez não tenham esta maledicência tão imediata. Os homens também querem saber a idade, mas sobretudo se é loira ou das outras (…) e se tem curvas. Já agora, o que é que faz. Porque o poder ou o dinheiro dela podem trazer problemas à camaradagem dos fins-de-semana. A autonomia de uma mulher põe em perigo a animação dos machos.
Nunca me lembro de alguma amiga ter perguntado o que fazia o «namorado» de uma de nós. Querem ver que as mulheres são mesmo românticas?
Eu, se ficasse solteira agora, não sabia muito bem para onde deveria olhar. Porque os mais novos de pele boa sabem menos e dá trabalho explicar-lhes tudo. Por outro lado, têm aquele ar fresco e os dentes brancos e dormem como se não houvesse amanhã. Eu tive alguns namorados que acordavam com um sorriso lindo que fazia esquecer algumas coisas, mas fora de casa podia ser constrangedor. Outros namorados tive que nunca acordaram. Há gente que dorme a vida toda…
Agora que reflicto sobre isto, penso que nunca experimentei devidamente a bancada sénior. Os tipos mais velhos podem ser aborrecidos com as desculpas dos filhos e do trabalho, não percebendo que enquanto estiverem de costas voltadas para a vida nenhuma desculpa os vai satisfazer. Eu acho que todos nós inventamos muitas razões para não nos divertirmos. Temos medo de pagar um preço alto pela diversão fora de tempo. (Como se houvesse idade ou altura para sermos felizes.)
Será que uma octogenária pode dizer que o marido – octogenário também – é imaturo? E o marido dirá que «ela nunca mais aprende»? Porque isto são coisas que dizemos a vida toda e quando estamos perto do fim ainda nos queixamos um do outro? Ainda nos acusamos mutuamente? Ainda nos agredimos com as nossas diferenças?
Não é preciso ir tão longe nas agendas dos dias futuros. A minha amiga de trinta-e-tais dirá que o seu namorado sexagenário é imaturo? E ele alguma vez se queixará de que ela é «chata»? As diferenças, ou pelos menos as acusações, diluem-se com o tempo? É que senão guardo-me para o amor mais tarde…
Sabem, hoje no táxi falava com o motorista sobre as barragens, o tempo e a agricultura. E eu disse ao bom homem que os nossos agricultores arriscam pouco. Ficam de braços cruzados a ver a intempérie levar-lhes o futuro e trazer-lhes os queixumes e a dor. Desconfio que não é só coisa dos agricultores. Desconfio que somos todos assim e no amor também. Ficamos de braços cruzados a assistir à batalha campal da diferença de géneros, arriscando pouco, fazendo pouco contra a ditadura do calendário.
Aceitamos a imaturidade dos homens, eles aceitam-nos a histeria desnecessária e ninguém se mexe muito do sofá. Excepção para as trintonas, claro, as tais que estão sozinhas e que gostam do rebuliço. A revolução será delas.
Oh God, make me good, but not yet
Cidália Dias
(...eu apenas sei que não gosto de fulanos de 35 ou 40, ou 45 (ou whatever!!) mais irresponsáveis e egoístas que os adolescentes!!!!!... esses são para abater antes de entrarem!!!!)





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