01 janeiro 2010

...traz contigo a maré da manhã com que todos os náufragos sonharam...


Volta até mim no silêncio da noite
a tua voz que eu amo, e as tuas palavras
que eu não esqueço. Volta até mim
para que a tua ausência não embacie
o vidro da memória, nem o transforme
no espelho baço dos meus olhos. Volta
com os teus lábios cujo beijo sonhei num estuário
vestido com a mortalha da névoa; e traz
contigo a maré da manhã com que
todos os náufragos sonharam.


Nuno Júdice





(...nesta altura festiva veio a saudade de alguns velhos portos de abrigo... felizmente, apesar de terem desaparecido, só mudaram os "locais" dos meus portos, porque eles reapareceram de onde menos esperava. Sou uma pessoa com muita sorte... :-D !!! Quanto aos portos antigos... se se afastaram é porque se calhar não eram verdadeiros portos de abrigo, apenas ajudaram um pouco este barco quando o mar não estava muito calmo - mas, quando vieram as turbulências e os problemas sérios que quase me fizeram afundar, decidiram afastar-se... contudo, a memória é traiçoeira, porque nas situações complicadas lembramo-nos mais facilmente das coisas boas que nos fizeram sorrir que das coisas tristes que nos fizeram chorar, daí esta nostalgia... no entanto, não deixa de ser um bom sinal, ver que a mágoa e a raiva desapareceram e que só ficaram as lembranças dos tempos bons: sinal que consegui perdoar tudo o que fez sofrer e estou em "paz" comigo mesma... porque afinal, mudar o Mundo começa por nos mudarmos a nós próprios... )

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