05 fevereiro 2010

...por fim o sono calmo que não é senão ternura, intimidade...



Primeiro a tua mão sobre o meu seio
Depois o pé - o meu - sobre o teu pé
Logo o roçar urgente do joelho
E o ventre mais à frente na maré

É a onda do ombro que se instala
É a linha do dorso que se inscreve
A mão agora impõe, já não embala
Mas o beijo é caricia, de tão leve

O corpo roda: quer mais pele, mais quente
A boca exige: quer mais sal, mais morno
Já não há gesto que não se invente
Ímpeto que não ache um abandono

Então já a maré subiu de vez
É todo o mar que inunda a nossa cama
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama

Por fim o sono calmo que não é
Senão ternura, intimidade, enleio
O meu pé descansando no teu pé
A tua mão dormindo no meu seio


Rosa Lobato Faria

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