...é uma quantidade de desilusão que se me entranha na espécie de pensar...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
Álvaro de Campos
in "Poemas"
...estes dias tenho andado ausente deste meu cantinho, porque o trabalho estúpido de corrigir teste e relatórios tem-me ocupado o tempo todo... e gostaria de saber porque razão estou a ter trabalho, para ter cerca de 80% de notas inferiores a 10 valores... o pior é que facilitar mais é quase deixar no teste só o espaço para preencherem o nome - e ainda assim, alguns reprovariam. Esta é a nova leva de licenciados de Bolonha - não sabem ler, não sabem escrever, não conseguem pensar... acho que estamos bem entregues... e estou cansada de perder tempo e de roubar tempo às pessoas de quem gosto para este tipo de tarefas... demasiado cansada...




Sem comentários:
Enviar um comentário