21 março 2010

...a primavera luminosa da minha expectativa, a mais certa certeza de que gosto de ti...


Em quem pensar,agora,senão em ti?



Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,



e trouxeste a manhã da minha noite.



É verdade que te podia dizer:



"Como é mais fácil deixar que as coisas

não mudem,sermos o que sempre fomos,mudarmos

apenas dentro de nós próprios?"



Mas ensinaste-me a sermos dois;



e a ser contigo aquilo que sou,

até sermos um apenas no amor que nos une,

contra a solidão que nos divide.



Mas é isto o amor:

ver-te mesmo quando te não vejo,



ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,



mesmo esse que mal corria quando por ele passámos,

subindo a margem em que descobri o sentido

de irmos contra o tempo,para ganhar o tempo

que o tempo nos rouba.



Como gosto,meu amor,

de chegar antes de ti para te ver chegar:



com a surpresa dos teus cabelos,



e o teu rosto de água fresca que eu bebo,



com esta sede que não passa.



Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,

a mais certa certeza de que gosto de ti,



como gostas de mim,



até ao fundo do mundo que me deste.

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