Daqui desta Lisboa

Daqui, desta Lisboa compassiva
Nápoles por Suíços habitada,
onde a tristeza vil, e apagada,
se disfarça de gente mais activa;
Daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;
Daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira da vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristôlho que se apaga;
Daqui, só paciência amigos meus!
Peguem lá o soneto e vão com Deus...
-Alexandre O’Neill -
(Fausto Bordalo Dias-P’ró Que Der eVier – 1974)




1 comentário:
Encontrei o CD que já procurava faz imenso tempo... e é simplesmente delicioso ouvir estes temas com a voz do Zeca e do Adriano...
nesse dia senti-me uma "gaija de sorte"
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