04 agosto 2009

...e não direi nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade...






Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,

acordarei entre os teus braços. A tua pele será talvez demasiado
bela.

E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.

Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o Inverno for

tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada

de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da

nossa janela. Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso

será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi

nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar

a perfeição da felicidade.


José Luis Peixoto

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