04 agosto 2009

...a gente não faz amigos, reconhece-os...




Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o
amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite
que o objecto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem
intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos
os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o
quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera
condição me encoraja a seguirem frente pela vida. Mas, porque não os
procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar! Muitos deles estão lendo esta crônica e
não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare
e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não
tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis
ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela
vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles
morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me
envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu
bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente
os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."



Vinícius de Moraes




...mesmo que sejam muito diferentes de nós, a empatia que se cria é instantânea... e apesar de serem normais, e terem defeitos, isso não importa, porque para nós serão sempre especiais...

(...ou será que estou enganada???? volta e meia recordo alguns filmes do passado e talvez a realidade seja bem diferente daquilo em que acredito...)

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