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01 abril 2015

...pois o cansaço fica na mesma...




...sinto-me exausta... no mês de Dezembro e Janeiro as gripes e afins demoraram demasiado tempo a recuperar.  O pior é que o trabalho que já se estava a acumular, se acumulou mesmo... a ponto de não conseguir dar resposta a tudo em tempo útil. Pela segunda vez recusei tarefas e nestes dias tirei férias para ir "despachando" os assuntos acumulados. Levar trabalho para casa todo os dias é desgastante. Embora não tenha horário rígido de trabalho, tenho tarefas para cumprir. E, pela primeira vez comecei a sentir o "peso da idade"... e o peso da desmotivação. Ver colegas a serem dispensados, apesar de serem necessários, ver a incompetência a ser premiada, perder tempos infinitos com burocracias... tudo isto desgasta. Felizmente, no meu local de trabalho tenho pessoas fabulosas... ou já teria desistido. Logo eu, que raras vezes desisto... Mas... ESTOU CANSADA!!!!...






Estou Cansado

Estou cansado, é claro,

Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.

De que estou cansado, não sei:

De nada me serviria sabê-lo,

Pois o cansaço fica na mesma.

A ferida dói como dói

E não em função da causa que a produziu.

Sim, estou cansado,

E um pouco sorridente

De o cansaço ser só isto —

Uma vontade de sono no corpo,

Um desejo de não pensar na alma,

E por cima de tudo uma transparência lúcida

Do entendimento retrospectivo...

E a luxúria única de não ter já esperanças?

Sou inteligente; eis tudo.

Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,

E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,

Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.




Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterónimo de Fernando Pessoa