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08 junho 2015

...o tempo resolve...

...na 6a feira noite dentro, ia para "casa" e comecei a ouvir o programa "O amor é...". E o assunto era, mais uma vez sobre problemas emocionais. Neste caso com o fim de uma relação provocada por uma morte inesperada.  "O tempo resolve...". O tempo ajuda a resolver, sim, ao distanciar as mágoas, a raiva, o sofrimento. Mas temos que fazer a nossa parte. Muitas vezes afastando de vez as pessoas da nossa vida.

Quantas vezes nos deparamos com possíveis relacionamentos que sabemos que estão condenados ao fracasso se evoluirem para além da amizade?  Porque não estamos devidamente preparados. Porque não é o momento certo. Porque para não magoarmos alguém, nos vamos  sentindo prisioneiros. E a pior parte é quando comparamos pessoas ou emoções. Outras vezes, precisamos tanto de uma companhia para nos afastarmos de nós mesmos, especialmente quando nos sentimos mal com o nosso passado, que acabamos por atraír pessoas a quem acabaremos por magoar.

O tempo resolve sim... mas ao longo deste tempo vamos sendo mais criteriosos com as escolhas. Nem todo o "chinelo" nos serve no pé, como diz a nossa música popular (e o Fado "Cais do Sodré", do Rodrigo, em que o termo chinelo é substituído por sapato... mais chique!!)...  da minha parte falo, mais vale andar descalça... é bem mais saudável, que nos sentirmos mal no "chinelo" disforme... e o que for será... tirando sempre o melhor partido de cada momento da vida, estando sózinha ou acompanhada... (e qual a melhor BSO para este post??? a que se segue, sem qualquer dúvida...)





03 abril 2010

...tu és tudo o que me é dado criar...




Eras tu
Na razão das aves e no sol das manhãs
Eras tu
No correr das águas e na cor das romãs

Como foi
Que perdi o pé no coração
Tu és tudo o que me é dado criar
És um fruto da imaginação

Eras tu
Em todas as praças, em todas as cidades
Eras tu
Na paz do silêncio depois das tempestades

Quem és tu
Que andas com a lua na algibeira à espera que eu vá
Quem és tu
De perna traçada no meu sonho como se fosses de lá

Como foi
Que perdi o pé no coração
Tu és tudo o que me é dado criar
És um fruto da imaginação


(...mais uma pérola de um dos melhoores discos editados em Portugal... o "meu" Assobio da Cobra...)

02 janeiro 2010

...viras-me o corpo ao avesso e depois eu recomeço as variações de humor...





Desespero à tua espera
Não é doce
Antes fosse doce d'alma
E manter aquela calma nem que fosse
Por um dia
Antes quero uma vadia!
Gato vadio sabe onde vai,
Sabe onde cai,
Não dá um ai nem um miado,
Toma cuidado.

Tu dormes na minha cama
Tratas-me por meu amor
Viras-me o corpo ao avesso
E depois eu recomeço
As variações de humor

Tu nunca estás!
Nem à frente nem atrás,
Nem por cima nem de lado;
És um corpo imaginado
Filho da maçã de adão
Uma lua passageira
Passageira passageira
Passageira a noite inteira
No outro lado da estação

Tu dormes na minha cama
Tratas-me por meu amor
Viras-me o corpo ao avesso
E depois eu recomeço
As variações de humor

Eu fico mau!
Não sou de pau e fico frio,
Também tenho o meu feitio
Alguns nós a desatar...
Já me cansei de chamar,
De fazer fita,
Mandar tiros para o ar,
Mas o que me faz desatinar
É tu seres tão bonita
Muito bonita, muito bonita...

Tu dormes na minha cama
Tratas-me por meu amor
Viras-me o corpo ao avesso
E depois eu recomeço
As variações de humor

02 dezembro 2009

...mas encontrei a salvação...





...foi lindo... aliás, este fim-de-semana terminei alguns trabalhos pendentes, estive com algumas das pessoas importantes para mim, tive algumas surpresas boas... enfim, foi muito bom e deu pelo menos para descansar o neurónio intermitente... não sei se encontrei a salvação, mas hoje vi um arco-íris - e essa difracção da luz através das gotas de água tem sempre um efeito "mágico" sobre mim - talvez um dia encontre o meu tesouro... hoje, pelo menos, fiquei com um belo sorriso...

12 novembro 2009

...eu sei que já me cortei em facas de ponta e não sangrei...




...sei que já me perdi para te encontrar... mas fiz da minha perdição o meu rosário... virei o mundo ao contrário e encontrei a salvação...





(...de facto, virei o meu mundo ao contrário, consegui perceber alguns erros e tenho tentado emendar... alguns tenho conseguido emendar, algumas falhas têm sido reparadas... outros sei que dificilmente conseguirei alterar, a única coisa a fazer é evitar que situações semelhantes voltem a acontecer... e a vida continua, melhor, acho eu...)

30 outubro 2009

...nunca parto inteiramente, vivo de duas vontades...




Nunca Parto Inteiramente - Manel Cruz


...não se se o Pássaro Cego me consegue fazer esquecer o Assobio da Cobra... este é dos temas que mais gosto do Assobio...

21 dezembro 2008

...revela-se a verdade nua e crua: chove mais do que na rua...

...adoro este tema... aliás o disco todo...



05 Casa Inacabada com Baloiço na Janela.wma - Camané, Ségio Godinho




Moro numa casa inacabada
Feita de terra molhada
Com o céu às cavalitas
Entra, mas desculpa a confusão;
Anda tudo pelo chão,
Não contava com visitas

Comigo mora gente tão diferente
Que às vezes, pontualmente,
Só falamos por sinais;
Cada um tem na sua bagagem
Um bilhete de passagem
Pelos pontos cardeais

Na sala, uma velha cartomante
Lê ao cavaleiro errante
Um destino vencedor;
As cartas falam de perdas e danos
Para, no correr dos panos,
Encontrar o seu amor

Ao fundo, dorme um soldado sisudo
Com umas botas de faz-tudo
E uma paixão de aluguer;
O bêbado que está no quarto ao lado
Chora sempre em tom de fado
O amor de uma mulher

Aquela que tem o corpo na esquina
Diz que também foi menina
Há-de um dia ser feliz
O homem que a usou pelos quintais,
Como é norma entre iguais,
Compreende o que ela diz

Em cima fica o quarto dos amantes,
Dos poetas, viajantes
E dos loucos sem lugar;
Pintaram um baloiço na janela
Com a luz de uma aguarela
Para a lua baloiçar

Assim somos vizinhos de outras crenças,
De outros livros e sentenças
Outras formas de oração;
Mas quando a noite traz os seus momentos
Escapa destes aposentos
Um bater de coração

Revela-se a verdade nua e crua:
Chove mais do que na rua
Trago o fato ensopado
Aqui qualquer um é vagabundo,
Esta casa é todo o mundo
Falta só pôr o telhado



-João Monge-
(in "O assobio da cobra" de Manuel Paulo - interpretado por Sérgio Godinho e Camané)

05 maio 2007

Lua Azul

Quem tem
Medo da lua
Vai ao mar
Sem companhia

Quem tem
Medo da lua
Não verá
A luz do dia

As rosas morrem por si
As pedras casam no chão
E sempre será assim
Pela sua mão

Quem vai
Ao mar sozinho
Quem dirá
Se há-de voltar

As asas
Desse destino
São papel
Azul do mar

As rosas morrem por si
As pedras casam no chão
E sempre será assim
Pela sua mão

(João Monge)


(ver o significado de Lua Azul)

18 abril 2007

Peixinhos e bolas de sabão

Amor
leva-me daqui contigo
aonde for
numa bola de sabão

Num dos peixinhos de aguarela
da tua mão,
em mariposa que há na tela
do teu coração

Menina da luz de mil sóis
leva-me a ver o que há dentro dos teus caracóis
Menina que vives na lua
és minha e eu sou tua


João Monge & José Peixoto


Bem... ultimamente, ando com um novo vício musical: José Peixoto. Para além dos discos de Madredeus e de alguns concertos ao vivo, casualmente, a Cris, no aniversário das nossas gémeas lindas, há uns meses, levou o disco "Carinhoso". E o som das cordas, do José Peixoto e do Fernando Júdice "caiu-me no goto". Umas visitas ao site oficial, mais uns cds (entre os quais o último, "Sal", francamente bom)... e ontem este "Estrela" estava à minha espera, numa loja cá do burgo... deslocado do sítio normal, mas na primeira filinha ao lado dos cds dos Xutos... e obviamente que se colou às minhas mãos. Quando cheguei a casa, dei-me conta que o tema "Não digas que não te avisei" faz parte deste álbum... e eu que andei uns meses a cantarolar o tema, sempre que o ouvia na Antena1, deliciei-me...
Obrigado, amigos... a culpa é vossa, mas ainda bem...

28 novembro 2006

Variações de humor


Desespero à tua espera
Não é doce
Antes fosse doce d'alma
E manter aquela calma nem que fosse
Por um dia
Antes quero uma vadia!
Gato vadio sabe onde vai,
Sabe onde cai,
Não dá um ai nem um miado,
Toma cuidado.

Tu dormes na minha cama
Tratas-me por meu amor
Viras-me o corpo ao avesso
E depois eu recomeço
As variações de humor

Tu nunca estás!
Nem à frente nem atrás,
Nem por cima nem de lado;
És um corpo imaginado
Filho da maçã de adão
Uma lua passageira
Passageira passageira
Passageira a noite inteira
No outro lado da estação

Tu dormes na minha cama
Tratas-me por meu amor
Viras-me o corpo ao avesso
E depois eu recomeço
As variações de humor

Eu fico mau!
Não sou de pau e fico frio,
Também tenho o meu feitio
Alguns nós a desatar...
Já me cansei de chamar,
De fazer fita,
Mandar tiros para o ar,
Mas o que me faz desatinar
É tu seres tão bonita
Muito bonita, muito bonita...

Tu dormes na minha cama
Tratas-me por meu amor
Viras-me o corpo ao avesso
E depois eu recomeço
As variações de humor


João Monge

05 novembro 2006

Senta-te aí

Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado, aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens que ser tu, com o teu próprio punho
Era isso o que te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade


- João Monge (Rio Grande) -

13 outubro 2006

Aerograma

Deus queira que esta
Vos mate a fome aos sentidos
Por agora

Deus queira que esta
Vos guarde a dor aos gemidos
Noite fora

Dançamos fandangos
Sobre uma navalha
Pássaros em bando
Em nuvens de limalha

E assim eu cá vou indo.

Vem-me o fel à boca
As tripas ao coração
A noite trás a forca pela sua mão

Sonho com fantasmas
De pele preta e luzidia
Com manuais de coragem e cobardia

Dizem que há sempre
Um barco azul para partir
Nosso hino
Embarca a alma
E os restos de um rosto a sorrir
Do destino

Põe o meu retrato
No altar de S. João
E uma vela com formato de canhão

Cansa-se esta escrita
Com dois dedos num baraço
Assim o quis a desdita
Vai um abraço.

(João Gil/João Monge)

pronto... esta faltou ontem... como faltou o Sorriso, Molinera e muitas, muitas mais... mas deu para matar saudades... e fazer uma retrospectiva dos ultimos 26 ou 27 anos da minha vida...

21 setembro 2006

Malhas caídas

Não me interpretes mal
Não troques os sinais
Tu sabes que no fundo
Bem lá no fundo
Somos todos iguais
Malhas caídas
Esperança e pouco mais.

Não me interpretes mal
Não me queiras julgar
Sabes que a solidão
Deixa a razão
Fora do seu lugar
Malhas caídas
Pontas por apanhar.


Afasta esse olhar
De quem nunca viu
Uma mulher pronta p’ra dar
E p’ra tirar tudo o que quer.


Rasga-me a roupa
Salta esse muro
Todo o passado
Todo o futuro
Porque nós somos
Do mesmo lado escuro.

Não me interpretes mal
Somos iguais na dor
Tu vais ver que afinal
Basta uma chama
Um pouco de calor
Basta uma chama
Um pouco de calor


Afasta esse olhar
De quem nunca viu
Uma mulher pronta p’ra dar
E p’ra tirar tudo o que quer.

Não me interpretes mal
Somos iguais na dor
Tu vais ver que afinal
Basta uma chama
Um pouco de calor
Um pouco de calor…

-João Monge-

19 setembro 2006

Casa inacabada com baloiço na janela

Moro numa casa inacabada
Feita de terra molhada
Com o céu às cavalitas
Entra, mas desculpa a confusão;
Anda tudo pelo chão,
Não contava com visitas

Comigo mora gente tão diferente
Que às vezes, pontualmente,
Só falamos por sinais;
Cada um tem na sua bagagem
Um bilhete de passagem
Pelos pontos cardeais

Na sala, uma velha cartomante
Lê ao cavaleiro errante
Um destino vencedor;
As cartas falam de perdas e danos
Para, no correr dos panos,
Encontrar o seu amor

Ao fundo, dorme um soldado sisudo
Com umas botas de faz-tudo
E uma paixão de aluguer;
O bêbado que está no quarto ao lado
Chora sempre em tom de fado
O amor de uma mulher

Aquela que tem o corpo na esquina
Diz que também foi menina
Há-de um dia ser feliz
O homem que a usou pelos quintais,
Como é norma entre iguais,
Compreende o que ela diz

Em cima fica o quarto dos amantes,
Dos poetas, viajantes
E dos loucos sem lugar;
Pintaram um baloiço na janela
Com a luz de uma aguarela
Para a lua baloiçar

Assim somos vizinhos de outras crenças,
De outros livros e sentenças
Outras formas de oração;
Mas quando a noite traz os seus momentos
Escapa destes aposentos
Um bater de coração

Revela-se a verdade nua e crua:
Chove mais do que na rua
Trago o fato ensopado
Aqui qualquer um é vagabundo,
Esta casa é todo o mundo
Falta só pôr o telhado

-João Monge-
(in "O assobio da cobra" de Manuel Paulo - interpretado por Sérgio Godinho e Camané)