
Tenho um sorriso fechado
na palma da minha mão.
Sorriso que foi achado
caído no meio do chão.
Um sorriso que era vento
desenrolado do azul
em que as minhas velas pandas
se enfunavam para o Sul,
rumo a qualquer fim de mundo.
Uma ilha tropical
onde o meu corpo confundo
com vento, suor e sal.
Era esse o teu sorriso:
o sorriso que me davas
quando os teus olhos nos meus
eram dois potros com asas.
À tua espera na praia
fiquei pela tarde fora,
no alto daquele rochedo
onde um minuto é uma hora!
E não vi o teu sorriso
surgir da areia ou do mar.
Nem tive um porto de abrigo,
nem foste um barco a chegar.
Se me disseres que morreste,
não acredito. Não posso!
Andavas sempre comigo
e o teu sorriso era o nosso...
Hoje guardo o teu sorriso
fechado na minha mão.
A contrastar com o siso
que trago no coração.
-------------TROVANTE (84)-----------
(letra: Rui Represas)