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13 março 2007

enquanto tu e eu

enquanto tu e eu
tivermos lábios e vozes
que servem para beijar e cantar
que importa
se um qualquer limitado filho da mãe
invente um instrumento que sirva para medir
a primavera

e.e. cummings


(faz parte do novo disco da Filarmónica Gil)

06 janeiro 2007

Deixa-te ficar na minha casa

Tenho livros e papeis espalhados pelo chão
A poeira de uma vida deve ter algum sentido
Uma pista, um sinal de qualquer recordação
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido

Guardo na palma da mão o calor dos objectos
Com as datas e locais. Porque brincas, porque ris.
E depois o arrepio: a memória dos afectos
Que me deixa mais feliz

Deixa-te ficar na minha casa
Há janelas que tu não abriste
O luar espera por ti quando for a maré-vasa
Ainda tens que me dizer porque é que nunca partiste
Está na mesma esse jardim com vista sobre a cidade
Onde fazia de conta que escapava do presente
Qualquer coisa que ficou, que é da nossa eternidade
Afinal, eternamente.

Deixa-te ficar na minha casa
Há janelas que tu não abriste
O luar espera por ti quando for a maré-vasa
Ainda tens que me dizer porque é que nunca partiste

(João Monge/João Gil)

Por acaso... nos últimos tempos, a arrumar os meus papéis e caderninhos, encontrei uma série de pequenas coisas, que me trouxeram muitas memórias... de um tempo que passou... e que parece imensamente distante...