...depois de "O Grito" e "O Medo", este é o tema de eleição... hoje cantei o tema todinho, melhor que o Paulo Praça e a Sónia Tavares... ("e Deu-me esta voz a mim!!!!")
...o Coliseu do Porto em pé em 8 ou 9 temas... de facto, foi muito bom... o único senão foi que os temas foram ilumidados basicamente com 2 cores: rosa ("O Medo" e "O Grito") e verde ("Formiga Bossa Nova" do Nandinho a verde... muito bom!!!)... ou um mix das 2 cores... porque será, perguntam?????????? um doce a quem souber... :-))))
Tu fizeste do meu viver um sonho agreste e a minha mocidade p'la tua maldade em troca eu te dei
Querias mais, mais que o corpo e a alma, mais que a paz e a calma que em ti nunca encontrei.
Dia a dia, em vez do amor, a nostalgia, que ao fim de tantos anos queres mais desenganos de novo ao meu lado.
Não posso esquecer que já é tarde de mais p'ra te querer. Como carta que rasgas sem ler, Rasga o passado.
O passado não deve nunca ser guardado, quer em cada momento se viva um lamento ou um sorriso fugaz,
pois mais tarde, numa carta esquecida, encontramos a vida que já ficou p'ra trás.
É diferente o sol feito de luz ardente, do mesmo sol poente que arrasta consigo um dia acabado.
Já basta saber Que há em nós a saudade a doer. Se afinal recordar é sofrer, Rasga o passado
...apesar de não ser perfeito, foi muito bom o concerto no CAE... e para além do Grito e do Medo, adorei este tema que desconhecia... e acabou em bom com a "cegonha"...
Quem dorme à noite comigo É meu segredo, Mas se insistirem, lhes digo, O medo mora comigo, Mas só o medo, mas só o medo
E cedo porque me embala Num vai-vem de solidão, É com silêncio que fala, Com voz de móvel que estala E nos perturba a razão
Gritar: quem pode salvar-me Do que está dentro de mim Gostava até de matar-me, Mas eu sei que ele há-de esperar-me Ao pé da ponte do fim.
* Reinaldo Ferreira & Alain Oulman *
...e realmente, quando ouvir este projecto fabuloso, hei-de sempre tentar perceber onde é que a voz da Sónia Tavares se compara à da Ágata... deve ser tão semelhante como a cor do cabelo, diria eu...
Era uma vez uma gaivota que gostava de ser pomba. Dizia ela que as gaivotas não servem para nada, ao passo que as pombas sempre servem para alguma coisa. — Levam cartas, mensagens, avisos de um lado para o outro — explicava ela às outras gaivotas. — São as pombas ou os pombos-correios. — Também há quem as cozinhe com ervilhas — interrompeu-a uma gaivota trocista. — Essa serventia a nós não nos interessa — arrepiaram-se as outras gaivotas, que voaram, alarmadas. Ficou sozinha a gaivota que queria ser pomba. Servir de cozinhado também não estava nas suas ambições, mas à falta de outro préstimo… E pensou: “Gaivota estufada”, “Gaivota de cabidela”, “Gaivota guisada com batatas”… Realmente, não lhe soava bem. E menos bem devia saber, porque nunca lhe constara que os humanos, de boca aberta para todos os gostos, tivessem incluído tais receitas nos seus livros de cozinha. A gaivota que queria ser pomba ficou a olhar o mar. Ia abrir as suas asas para as lançar sobre as ondas, à cata de peixinho para o almoço, quando um estranho torpor lhe tomou o corpo. Deteve-se. Encolheu-se. Tapou a cabeça com uma asa. Aquilo havia de passar. As outras gaivotas, que há pouco tinham debandado, regressavam à praia, apanhadas pelo mesmo entorpecimento que atingira a gaivota desta história. Formaram um bando tiritante, rente ao mar. Umas, levantadas numa só pata, outras escondidas numa cova da areia, olhavam as águas esverdinhadas, espumosas, como turistas descontentes com a paisagem. — Estão as gaivotas em terra — disse uma voz humana, abrindo uma janela, junto à praia. — Vai haver tempestade. Sendo assim, já não me arrisco a ir para o ar. De facto, quando as gaivotas ficam em terra, os pescadores sabem que o tempo vai mudar. Elas é que dão o sinal. Elas é que sabem. Elas é que pressentem quando a tempestade se aproxima. “Afinal, sempre tenho alguma utilidade”, pensou a gaivota que queria ser pomba, toda enrolada numa bola de penas, e, daí em diante, preferiu continuar a ser gaivota.
António Torrado
(...ou, então não... mas já que ouvi este tema 3 vezes hoje na rádio, cá fica de novo...)
...eu nem gostava muito da voz de Amália (possivelmente, porque a conheci já numa época descendente), mas gosto muito deste cd que reune músicos de outras origens musicais bem diferentes...
... um local da blogosfera à minha maneira... onde posso deixar os meus pensamentos, a música que me prende, os poemas que me tocam, os textos que me despertam a atenção... é o meu canto onde, a cada dia, vou deixando pedacinhos de mim...
"As minhas palavras aqui são como as palavras escritas num papel branco que se mantém branco com essas palavras invisíveis de alguém que as leia, palavras a envelhecerem por não haver quem as compreenda, a perderem o seu significado, a misturarem-se imperceptíveis numa brisa em que ninguém repara. (…) todo o meu olhar é desperdiçado por saber que tu não vês nada."
José Luís Peixoto
in "Nenhum Olhar"
"Nestes cadernos fui anotando, com minúcia, o dia a dia de cada viagem. Neles escrevi os primeiros poemas, desenhei mapas, paisagens e rostos. Fiz listas de lugares a visitar ou a evitar. Colei retratos de gente que se ia cruzando comigo, bilhetes postais, etiquetas, bilhetes de comboio e de avião..."
Al Berto
"O HOMEM é, por desgraça, uma solidão: Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós."
Miguel Torga
...pendulam por aqui...
"Eu quero um TIBETE LIVRE"
O melhor retrato de cada um é aquilo que escreve. O corpo retrata-se com o Pincel. A Alma com a Pena. Pde António Vieira
...a tattoo do gajo ao pé de mim, no Vimeiro... coincidências...
Grécia... o meu lugar de sonho...
M.H.S.
(desde 03.08.06)
Poeminha do Contra
Todos esses que aí estão Atravancando meu caminho, Eles passarão... Eu passarinho!
-Mário Quintana- in Prosa e Verso (1978)
Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) da vida, Mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade
"Ama-se mais o amor do que se tem amor específico por esta ou aquela mulher (pessoa)."
"Não tens sangue nas veias: tens um rio Que corre sem ter foz e que te chama Ao mar, ao céu, ao vento: à cruel trama Que fez do teu destino seres navio
Das preces que fizeste houve fama Que o deus a quem rezaste não ouviu E assim caiu um corpo quedo e frio, E assim secou a alma que te inflama
E onde outros são estrelas, és firmamento Por onde outros se movem, és movimento És vento que se perde numa estrada
És prado sem ter fim, lezíria nua Montanha solitária, rocha crua És ave sem repouso – e sem morada