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10 outubro 2009

...como carta que rasgas sem ler: RASGA O PASSADO!!!!...




...depois de "O Grito" e "O Medo", este é o tema de eleição... hoje cantei o tema todinho, melhor que o Paulo Praça e a Sónia Tavares... ("e Deu-me esta voz a mim!!!!")

...o Coliseu do Porto em pé em 8 ou 9 temas... de facto, foi muito bom... o único senão foi que os temas foram ilumidados basicamente com 2 cores: rosa ("O Medo" e "O Grito") e verde ("Formiga Bossa Nova" do Nandinho a verde... muito bom!!!)... ou um mix das 2 cores... porque será, perguntam?????????? um doce a quem souber... :-))))

02 outubro 2009

...não posso esquecer que já é tarde de mais p'ra te querer...se afinal recordar é sofrer, rasga o passado...




...ou, o tema original...











Tu fizeste
do meu viver um sonho agreste
e a minha mocidade
p'la tua maldade
em troca eu te dei

Querias mais,
mais que o corpo e a alma,
mais que a paz e a calma
que em ti nunca encontrei.

Dia a dia,
em vez do amor, a nostalgia,
que ao fim de tantos anos
queres mais desenganos
de novo ao meu lado.

Não posso esquecer
que já é tarde de mais p'ra te querer.
Como carta que rasgas sem ler,
Rasga o passado.

O passado não deve nunca ser guardado,
quer em cada momento
se viva um lamento
ou um sorriso fugaz,

pois mais tarde,
numa carta esquecida,
encontramos a vida
que já ficou p'ra trás.

É diferente
o sol feito de luz ardente,
do mesmo sol poente
que arrasta consigo
um dia acabado.

Já basta saber
Que há em nós a saudade a doer.
Se afinal recordar é sofrer,
Rasga o passado



...apesar de não ser perfeito, foi muito bom o concerto no CAE... e para além do Grito e do Medo, adorei este tema que desconhecia... e acabou em bom com a "cegonha"...

26 junho 2009

...quem pode salvar-me do que está dentro de mim...




Quem dorme à noite comigo
É meu segredo,
Mas se insistirem, lhes digo,
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo

E cedo porque me embala
Num vai-vem de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão

Gritar: quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim
Gostava até de matar-me,
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.



* Reinaldo Ferreira & Alain Oulman *










...e realmente, quando ouvir este projecto fabuloso, hei-de sempre tentar perceber onde é que a voz da Sónia Tavares se compara à da Ágata... deve ser tão semelhante como a cor do cabelo, diria eu...

09 junho 2009

...afinal, sempre tenho alguma utilidade...




Era uma vez uma gaivota que gostava de ser pomba.
Dizia ela que as gaivotas não servem para nada, ao passo que as pombas sempre servem para alguma coisa.
— Levam cartas, mensagens, avisos de um lado para o outro — explicava ela às outras gaivotas. — São as pombas ou os pombos-correios.
— Também há quem as cozinhe com ervilhas — interrompeu-a uma gaivota trocista.
— Essa serventia a nós não nos interessa — arrepiaram-se as outras gaivotas, que voaram, alarmadas.
Ficou sozinha a gaivota que queria ser pomba. Servir de cozinhado também não estava nas suas ambições, mas à falta de outro préstimo… E pensou: “Gaivota estufada”, “Gaivota de cabidela”, “Gaivota guisada com batatas”…
Realmente, não lhe soava bem. E menos bem devia saber, porque nunca lhe constara que os humanos, de boca aberta para todos os gostos, tivessem incluído tais receitas nos seus livros de cozinha.
A gaivota que queria ser pomba ficou a olhar o mar. Ia abrir as suas asas para as lançar sobre as ondas, à cata de peixinho para o almoço, quando um estranho torpor lhe tomou o corpo. Deteve-se. Encolheu-se. Tapou a cabeça com uma asa. Aquilo havia de passar.
As outras gaivotas, que há pouco tinham debandado, regressavam à praia, apanhadas pelo mesmo entorpecimento que atingira a gaivota desta história.
Formaram um bando tiritante, rente ao mar. Umas, levantadas numa só pata, outras escondidas numa cova da areia, olhavam as águas esverdinhadas, espumosas, como turistas descontentes com a paisagem.
— Estão as gaivotas em terra — disse uma voz humana, abrindo uma janela, junto à praia. — Vai haver tempestade. Sendo assim, já não me arrisco a ir para o ar.
De facto, quando as gaivotas ficam em terra, os pescadores sabem que o tempo vai mudar. Elas é que dão o sinal. Elas é que sabem. Elas é que pressentem quando a tempestade se aproxima.
“Afinal, sempre tenho alguma utilidade”, pensou a gaivota que queria ser pomba, toda enrolada numa bola de penas, e, daí em diante, preferiu continuar a ser gaivota.



António Torrado



(...ou, então não... mas já que ouvi este tema 3 vezes hoje na rádio, cá fica de novo...)

09 maio 2009

...foi de noite e nunca mais se fez dia...

...eu nem gostava muito da voz de Amália (possivelmente, porque a conheci já numa época descendente), mas gosto muito deste cd que reune músicos de outras origens musicais bem diferentes...