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12 abril 2008

Instantes


Instantes


Se eu pudesse viver novamente a minha vida,

na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.

Seria mais tolo ainda do que tenho sido.

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais.

Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,

nadaria mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,

teria mais problemas reais e menos imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente

cada minuto da sua vida: claro que tive momentos de alegria.

Mas se pudesse voltar a viver,

trataria de ter somente bons momentos.

Eu era um desses que nunca ia à parte alguma sem um termômetro,

uma bolsa de água quente e um pára-quedas:

se eu voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,

começaria a andar descalço no começo da primavera

e continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres

e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.


Nadine Stair

(mas erradamente atribuída a Jorge Luiz Borges... )

20 agosto 2007

Lloran las rosas...



Lloran las rosas
el rocio ya se ha convertido
en lagrimas ...
te me has ido, te he perdido
lloran las rosas

Llora mi alma
va gimiendo con las alas recortadas
te me has ido, te he perdido
llora mi alma...ah...


Lagrimas, que ahogan mi corazon
lagrimas, palabras del alma
lagrimas, mi mudo lenguaje de amor


Lloran las rosas
porque no puedo estar sin ti
lloran celosas
de que no quieras ya venir
y entre otras cosas...
yo lloro por ti.


Falta el perfume
de tu piel por donde anduve
la silueta que veia
cuando tu dormias.


Lagrimas, que ahogan mi corazon
lagrimas, palabras del alma
lagrimas, mi mudo lenguaje de amor...
lloran las rosas...


Una Rosa a Milton
(de Jorge Luís Borges)

16 agosto 2007

E em cada dia aprendemos...




Após um tempo,
Aprendemos a diferença subtil
Entre segurar uma mão
E acorrentar uma alma.
E aprendemos
Que o amor não significa deitar-se
E uma companhia não significa segurança
E começamos a aprender...

Que os beijos não são contratos
E os presentes não são promessas
E começamos a aceitar as derrotas
De cabeca levantada e os olhos abertos
Aprendemos a construir
Todos os seus caminhos de hoje,
Porque a terra amanhã
É demasiado incerta para planos...
E os futuros têm uma forma de ficarem
Pela metade.
E depois de um tempo
Aprendemos que se for demasiado,
Até um calorzinho do sol queima.
Assim plantamos nosso próprio jardim
E decoramos nossa própria alma,
Em vez de esperarmos que alguém nos traga flores.
E aprendemos que realmente podemos aguentar,
Que somos realmente fortes,
Que valemos realmente a pena,
E aprendemos e aprendemos...
E em cada dia aprendemos.


-Jorge Luís Borges-
(Tradução de Luís Eusébio)



O pior é mesmo quando uma após outra vez, tal como os incautos banhistas, que decidem não se proteger contra a radiação solar e apanham continuamente valentes escaldões, expomos o nosso coração... e mais uma vez a dor lacinante nos parte por dentro... e voltamos a sentir mais um bocado arrancado no peito, mais um sonho desfeito, outra parte de nós que morreu para sempre... mesmo sabendo antecipadamente que isto iria acontecer, porque razão não mudámos o enredo do filme? Talvez haja uma altura certa para se ser feliz... o pior, é lidarmos com as alturas erradas e sabermos que a certa já passou... e lidar com isso é difícil de aprender... para quando aprender a não dar tanto de nós?