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01 janeiro 2011

...e permaneço só e me entedio...

Cárcere de amor




De todas as mulheres que tu tiveste


a mim me queres mais que nenhuma outra


é o que sempre me dizes. Porém,


elas puderam dividir tua cama.


E a mim tu me fechaste neste quarto


em que só visitas pelas tardes.


Trazes-me doces e livros, e me falas


de arte e literatura. Ao despedir-se


me dás um beijo paternal na testa


e assim até outro dia. E permaneço


só e me entedio. E sinto falta de um homem.


Por isso, não estranhes nem me insultes,


meu amor, se surges de surpresa


e me vês abraçada ao carcereiro.


 
Amalia Bautista
in "Cárcel de Amor"
 
 

31 dezembro 2010

...decisões importantes para o novo ano...

Agora, que já falta pouco tempo para as 12 badaladas anunciando a chegada do Novo Ano, que se aproxima velozmente, convém que nos preparemos para receber 2011. E, nada melhor que, de acordo com a tradição da Beira Baixa, deitarmos fora tudo o que nos faz mal - nos envenena o coração e nos faz desperdiçar energias - e pouparmos esforços para nos dedicarmos mais às pessoas de quem gostamos, ao que gostamos de fazer e, claro, a nós próprios. Algumas coisas perderam relevância na minha vida e algumas pessoas sairam. Mas, muitas outras entraram e são fundamentais na minha vida.

 

Por isso, decidi fazer mais uma limpeza geral na minha vida: deitar fora tudo o que me faz mal, minimizar o tempo gasto com ninharias e ter mais tempo para a família, os amigos e também para mim mesma.





Vamos a hacer limpieza general

y vamos a tirar todas las cosas

que no nos sirven para nada, esas

cosas que ya no utilizamos, esas

otras que no hacen más que coger polvo,

las que evitamos encontrarnos porque

nos traen los recuerdos más amargos,

las que nos hacen daño, ocupan sitio

o no quisimos nunca tener cerca.

Vamos a hacer limpieza general

o, mejor todavía, una mudanza

que nos permita abandonar las cosas

sin tocarlas siquiera, sin mancharnos,

dejándolas donde han estado siempre;

vamos a irnos nosotros, vida mía,

para empezar a acumular de nuevo.

O vamos a prenderle fuego a todo

y a quedarnos en paz, con esa imagen

de las brasas del mundo ante los ojos

y con el corazón deshabitado.


(Amalia Bautista)




Porque de facto, perdemos tanto tempo a fazer planos para o Futuro e deixamos de viver o Presente e de aproveitar tudo de bom que a Vida nos oferece, vendo sempre o copo meio vazio e tendo medo que o conteúdo evapore, ao invés de o vermos meio cheio e de tentarmos completar o que falta.



E, embora este ano se augure difícil, temos que começar a perceber o bom que a vida nos dá e que não se limita aos bens materiais. Por isso, desejo-vos UM FELIZ 2011.











































06 dezembro 2010

...faca no coração...

...ainda sobre a amizade, não posso deixar de concordar com o grande Vinícius de Moraes, quando diz que "A gente não faz amigos, reconhece-os". De facto, nem muitas vezes percebemos porque razão entram na nossa vida determinadas pessoas e porque motivo nos ligamos tanto a elas, ficando incrustadas no nosso coração. Uma das pedras que caiu há uns anos, ainda hoje me faz alguma falta, tal foi a marca que deixou. Sei que não há volta possível. Era para mim, mais do que tudo, o meu melhor amigo, a pessoa em quem eu confiava tanto ou mais do que em mim mesma. Agora sei que o sentimento que nutria por mim era diferente, bem diferente, e que pecava por falta de confiança. E quando não se confia, não pode haver amizade; ou pelo menos, de acordo com o que eu entendo que é a amizade, esta assenta na confiança, no respeito e na aceitação. Só assim é possível criar laços que perdurem. Porque a pior coisa que se pode sentir é que "um amigo" não confia em nós ou que brinca com o que sentimos - qual "faca no coração"...

No primeiro dia que saí contigo

disseste que o teu trabalho era estranho.

Mais nada. Todavia, eu sentia

a pele a rasgar-se como trapos

de cada vez que me tocavas com a mão.

E os teus olhos pareciam-me punhais

a fazer-me doer os meus.

Daí para a frente foi sempre a mesma coisa:

tu orgulhavas-te da tua arte,

mais subtil e directo em cada dia

e eu nunca percebia nada.

Mas agora sei.

Já conheço o teu ofício:

Atirador de facas.

A mais certeira atiraste-ma ao coração.
 
 
-Amalia Bautista-
 
 

02 novembro 2010

II




Lloro cuando no estás, sudo contigo.

Mi sudor y mi llanto son iguales,

tenaces y salados,

como el mar de mis sueños y el océano

inabarcable de mis pesadillas.

No pido demasiado, pero me gustaría

sudar un poco más y llorar menos.




AMALIA BAUTISTA, Estoy ausente

31 agosto 2010

...os teus olhos...

Quando se esgotaram os caminhos


que a razão poderia aconselhar-nos



abrem-se os teus olhos, e com eles tudo



volta a inundar-se da luz escura



que dá sentido ao mundo e à minha vida.


Amália Bautista



...parece incrivel que continue sem conseguir qualquer livro reeditado de Amália Bautista... pela 4a vez em 3 anos consecutivos... (nota-se muito que tenho um fraquinho pelo gajo do sorriso lindo???)

16 agosto 2010

...nunca saberemos se quem nos espera é quem nos deve esperar...


Nunca saberemos se os enganados


são os sentidos ou os sentimentos,

se viaja o comboio ou a nossa vontade

se as cidades mudam de lugar

ou se todas as casas são a mesma.

Nunca saberemos se quem nos espera

é quem nos deve esperar, nem sequer

quem temos de aguardar no meio

de um cais frio. Não sabemos nada.

Avançamos às cegas e duvidamos

se isto que se parece com a alegria

é só o sinal definitivo

de que nos voltámos a enganar.

10 agosto 2010

...é tão bonita que não me canso nunca de a ouvir...

Conta-me outra vez, é tão bonita


que não me canso nunca de a ouvir.

Repete-me de novo, os dois da história

foram felizes até à morte,

ela não foi infiel, ele nem

se lembrou de a enganar. E não te esqueças,

apesar do tempo e dos problemas,

continuavam a beijar-se cada noite.

Conta-me mil vezes, por favor:

é a história mais linda que conheço.

29 junho 2010

...y ver de nuevo el alba en la luz de tus ojos...


PIDE TRES DESEOS




Ver el alba contigo,
ver contigo la noche
y ver de nuevo el alba
en la luz de tus ojos.



Amalia Bautista

21 abril 2010

...faca no coração...



El primero dia que salí contigo
dijiste que era estraño tu trabajo.
Nada más. Sin embargo, yo sentía
que mi piel se rasgaba hecha jirones
cada vez que tus manos me rozaban,
y que tus ojos eran como aceros
que hacían que los míos me dolieram.
En adelante siempre fue lo mismo:
Tú te enorgullecías de tu arte,
más sutil y directo cada día,
y yo no comprendía nunca nada.
Ahora lo sé. Conozco ya tu ofício:
Lanzador de cuchillos. Has lanzado
contra mi corazón el más certero.


Amalia Bautista

19 abril 2010

...acabo de matar al mensajero...


EL MENSAJERO

Haría cualquier cosa que él quisiera
porque ya sólo veo por sus ojos.
Mi voluntad se anula a su capricho.
Me sigo entusiasmando si me llama
por teléfono y dice que salgamos.
Sus besos me enternecen o me excitan,
pero nunca me son indiferentes.
Ha venido un amigo a visitarme:
le ofrezco una cerveza y continúo
vistiéndome. Mi amigo se ensombrece
y dice que ha venido hasta mi casa
para darme una pésima noticia:
"él no te quiere; siempre te ha engañado".
Termino de arreglarme. Me perfumo.
Él me espera. No puedo llegar tarde.
Acabo de matar al mensajero.




...como se fica completamente irracional, quando mexem com os nossos sentimentos mais delicados...

21 março 2010

...abrem-se os teus olhos, e com eles tudo volta a inundar-se da luz escura...





Quando se esgotaram os caminhos
que a razão poderia aconselhar-nos

abrem-se os teus olhos, e com eles tudo


volta a inundar-se da luz escura

que dá sentido ao mundo e à minha vida.

14 fevereiro 2010

...é um lugar igual a qualquer outro...


Debrucei-me à janela do inferno
e não vi nada que me horrorizasse;
pareceu-me um lugar igual aos outros,
cheio de gente e coisas. E alguém
do inferno me disse para entrar.
Não me lembro quem era ou se eram vários,
nem o que me disseram lá de dentro,
ou se essas pessoas sorririam,
se haveria alguém a lamentar-se
ou se desconfiei por um momento.
Fui e achei a porta do inferno,
abri a porta do inferno, entrei,
desde essa hora vivo no inferno.
É um lugar igual a qualquer outro,
cheio de gente e coisas. Todavia
sei que não pode ser senão o inferno
porque neste lugar não estás comigo.


Amalia Bautista



...hoje o meu regresso foi um pequeno inferno... passar 6 horas num aeroporto à espera do vôo dá cabo da paciência de qualquer mortal... e ainda por cima, não gostei da viagem e do serviço... decerto não voltarei a repetir a dose, mesmo sendo low cost e já tendo apanhado grandes "barretes" com outras companhias, como a KLM ou a Alitalia... e foi a primeira vez que detestei viajar sózinha...

09 fevereiro 2010

...não sabemos nada...


Nunca saberemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou a nossa vontade
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera
é quem nos deve esperar, nem sequer
quem temos de aguardar no meio
de um cais frio. Não sabemos nada.
Avançamos às cegas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é só o sinal definitivo
de que nos voltámos a enganar.



...de facto, o medo de me voltar a enganar como antes aconteceu, creio que me endureceu de tal forma, que parte de mim morreu há uns anos... (e será que depois de visitar 7 livrarias de dimensões razoáveis na Catalunya não consigo encontrar nenhum livro, dos 6 que tem, de Amalia Bautista????? será porque é muito conhecida ou será o contrário???)

08 fevereiro 2010

...é a história mais bela que conheço...



Conta-me outra vez, é tão bonito
que não me canso nunca de escutá-la.
Repete-me outra vez que o casal
da história foi feliz até morrer,
que ela não lhe foi infiel, que a ele nem sequer
lhe ocorreu enganá-la. E não te esqueças
de que, apesar do tempo e dos problemas,
continuavam os beijos todas as noites.
Conta-me mais mil vezes, por favor:
é a história mais bela que conheço.


Amalia Bautista
("Cuéntamelo Otra Vez")

05 fevereiro 2010

...julgava que te tinha dito um adeus contundente, ao deitar-me...



Julgava que te tinha dito adeus,
um adeus contundente, ao deitar-me,
quando pude por fim fechar os olhos,
esquecer-me de ti, dessas argúcias,
dessa tua insistência, teu mau génio,
tua capacidade de anular-me.
Julgava que te tinha dito adeus
de todo e para sempre, mas acordo,
encontro-te de novo junto a mim,
dentro de mim, rodeias-me, a meu lado,
invades-me, afogas-me, diante
dos meus olhos, em frente à minha vida,
por sob a minha sombra, nas entranhas,
em cada golpe do meu sangue, entras
por meu nariz quando respiro, vês
pelas minhas pupilas, lanças fogo
nas palavras que minha boca diz.
E agora que faço?, como posso
desterrar-te de mim ou adaptar-me
a conviver contigo? Principie-se
por demonstrar maneiras impecáveis.
Bom dia, tristeza.

13 janeiro 2010

...jamás imaginaste que te amaba... ni de ponerme un nombre te acordaste...



Para ti nunca fui más que un pedazo
de mármol. Esculpiste en él mi cuerpo,
un cuerpo de mujer blanco y hermoso,
en el que nunca viste más que piedra
y el orgullo, eso sí, de tu trabajo.
Jamás imaginaste que te amaba
y que me estremecía cuando, dulce,
moldeabas mis senos y mis hombros,
o alisabas mis muslos y mi vientre.
Hoy estoy en un parque, donde sufro
los rigores del frío en el invierno,
y en verano me abraso de tal modo
que ni siquiera los gorriones vienen
a posarse en mis manos porque queman.
Pero, de todo, lo que más me duele
es bajar la cabeza y ver la placa:
«Desnudo de mujer», como otras muchas.
Ni de ponerme un nombre te acordaste.

03 janeiro 2010

...las que evitamos encontrarnos porque nos traen los recuerdos más amargos...


Vamos A Hacer Limpieza General

Vamos a hacer limpieza general
y vamos a tirar todas las cosas
que no nos sirven para nada, esas
cosas que ya no utilizamos, esas
otras que no hacen más que coger polvo,
las que evitamos encontrarnos porque
nos traen los recuerdos más amargos,
las que nos hacen daño, ocupan sitio
o no quisimos nunca tener cerca.

Vamos a hacer limpieza general
o, mejor todavía, una mudanza
que nos permita abandonar las cosas
sin tocarlas siquiera, sin mancharnos,
dejándolas donde han estado siempre;
vamos a irnos nosotros, vida mía,
para empezar a acumular de nuevo.

O vamos a prenderle fuego a todo
y a quedarnos en paz, con esa imagen
de las brasas del mundo ante los ojos
y con el corazón deshabitado.


Amalia Bautista



(...já comecei a meio de 2009... e em 2010 vou continuar a deitar fora tudo o que não interessa para a minha vida e a deixar mais tempo e espaço para as coisas realmente importantes...)

05 dezembro 2009

...são pouquíssimas as coisas que na nossa vida a sério nos importam...




Afinal são tão poucas as palavras

que nos doem a sério e muito poucas

as que nos conseguem alegrar a alma.

São também tão poucas as pessoas

que tocam o nosso coração e menos

ainda as que o tocam muito tempo.

E, por fim, são pouquíssimas as coisas

que na nossa vida a sério nos importam:

poder amar alguém, sermos amados

e não morrer depois dos nossos filhos.



Amalia Bautista

(...ler o blogue da M. dá nisto... e depois de um dia "fosforilado", nada melhor do que encontrar um poema que diga o que pensamos...)