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01 setembro 2009

...“não penses, assim não sofres”...


Prisão - Mafalda Veiga

Eles sentaram-me à mesa do medo
No banco mesmo a seu lado
Sentia-lhe o corpo hirto
E gelado de tão perto

Sentia-lhe o cheiro podre
De tão velho
Que o medo perdeu a idade
No labirinto dos homens
E escorre pela sombra
Dos corredores

Eles sentaram-me à mesa do medo
No banco mesmo a seu lado
Ouvia-lhe a boca negra dizer-me:
“não penses, assim não sofres”

Virei a mesa do medo
É pensei
Que há mais para virar
Virei-me por dentro
Até despertar
Eles sentaram-me à mesa do medo
No banco mesmo a seu lado
Ouvia-lhe a boca negra dizer-me:
“não penses, assim não sofres”

Virei a mesa do medo
E pensei
Que há mais para virar
Virei-me por dentro
Até despertar



(...às vezes o melhor seria mesmo não pensar em nada... decerto magoar-me-ia menos...)

16 julho 2009

...de que noite demorada...




...este tema na única versão de que gosto mesmo, com o Pablo Milanés... obrigado, Guilherme :-))

01 julho 2009

...quem disse, que o mar dos olhos também sabe a sal...




...as lembranças são os sorrisos que queremos rever, devagar...

...quem foi que matou desejo e arrancou o lábio ao beijo e amainou os vendavais...

27 outubro 2008

...e por isso nunca ele vai saber o quanto te quero...

...hoje logo de madrugada ouvi este tema... e na viagem ao fim da tarde ouvi-o de novo na rádio...



03 Desencontro.wma - Luis Represas

DESENCONTRO

Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade

Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é para mim
E quero que me agarre

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Ela vai rir-se quando lhe contar
Que um dia quis dar-lhe o mundo
Mas não a soube chamar
O seu cheiro passa solto
E leve como o ar

Ele vai ter um sonho por guardar
O tempo não tem escolha
E a alma passou longe
Adeus! Será que é Adeus?
Eu não te perco mais

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Se ela pressentisse
O olhar que me devolve
As ânsias sem idade
Os olhares ao espelho sem piedade
A verdade foge trémula e sem serenidade

Se ele sentisse
Só por uma vez
Que paro quando fala
Que rio quando olha
E coro quando é p'ra mim
E quero que me agarre

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

Ela nem imagina
Ele nunca me vai ver
Volto a cruzar-me com ela
Fingindo não o ver
E por isso nunca
Ele nunca vai saber
O quanto eu te quero

(Luís Represas / Margarida Pinto Correia)

02 outubro 2008

...as lembranças são os sorrisos que queremos rever, devagar...



...um dos meus temas preferidos... Trovante, pois claro! tenho saudades da minha malta... felizmente "os bons" continuam a contactar... nem 20 anos passados, nem caminhos diferentes, conseguiram dar cabo da amizade...



Memórias de um Beijo - Luis Represas







Lembras-me uma marcha de lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p'ra se amar

Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal

As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar

Queria viver tudo numa noite
sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar



Quem foi que provocou vontades
e atiçou as tempestades
e amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais

22 julho 2008

...neste porto só, sou eu quem me espera...

...enfim... creio que finalmente, depois de muito procurar, encontrei um tema de que gosto neste último disco...





Porque é que naquela rocha
Perdida no meio do mar
Arrasada pelo vento
Despida pelo luar

Porque é que foi no segredo
De não ter com quem falar
Que me despedi do medo
Que tinha de me encontrar


Não foi por ser inocente
Que ali me fui encontrar
A mim que já não me via
Nem me podia tocar

Foi porque um de nós sabia
O que o outro lhe contou
Sabia que não fugia
Nenhum de nós lá ficou


Gostava que tu soubesses
Que tenho a rota traçada
Sei lá ir quando quiseres
Se houver conversa adiada


Desembarco só
Neste porto só
Sou eu quem me espera

01 Entre mim e Eu - Luís Represas

10 junho 2008

...a vez mais próxima do fim...

...é como me sinto HOJE...


Teus olhos amanheceram
como ontem, como sempre,
mas com um brilho diferente,
sincero, lindo e presente
que quase temi por eles
ou antes temi por mim

Afinal correram anos.
E podemos complicar;
se em vez de anos fossem horas
o peso já era grande
para o tempo levar sobre as asas
o tempo que fez passar.

Temi por mim.

Porque as vezes que amanheceram
e que se abriram assim
se calhar já foram tantas
se calhar já foram sempre
que temi que fosse aquela
a vez mais próxima do fim

Enquanto o temor fizer
com que a angústia me invada
não posso querer mais nada
a não ser querer rever
igual que ontem e sempre
o brilho sincero e presente
que amanheceu para mim.

-Luís Represas-

28 abril 2008

...p´ra lhes dar um motivo p´ra guiar as setas que os cupidos que restam lançam delirantes ...





A noite já não cai como caía dantes
E a lua não se expõe com tanto à vontade
As ruas brilham menos por não ter brilhantes
Que alguém roubou do guarda jóias da cidade

Cansadas estão as penas dos nossos poetas
Que correm nos papeis em busca dos amantes
P´ra lhes dar um motivo p´ra guiar as setas
Que os cupidos que restam lançam delirantes

Só tu me dás motivos p´ra manter acesa
A luz que brilha junto da minha janela
Alguma coisa quente e flores sobre a mesa
Algum amor que se consome numa vela

Já tudo em volta parece estar deserto
Contudo um cheiro intenso me revolve o fundo
Da alma só me resta um desejo certo
De me saber sózinho contigo no mundo

Se o sol tiver a força que duvido ter
De matar as dúvidas que a noite tem
Certamente um olhar se trocará com outro
Adivinhando um beijo que decerto vem

-Luís Represas-

22 março 2008

infelizmente... perdi o meu "abrigo"... e já não faz sentido continuar a correr atrás de utopias...







Quando me perco

Quando me perco
busco um abrigo
ou um tecto que não tolha os meus sentidos
E se o teu céu, por ser maior,
cobrir o pranto?
eu vou!

Quando me perco
sigo uma estrela
que não brilha igual
em todo o firmamento.
E se cair para lá das ilhas encantadas?
eu vou!

Se o teu nome não fosse
o do pecado,
ou da benção que o céu
hoje me deu,
nem por montes,
nem por mares
onde o sol nunca nasceu,
perderia o rasto
de um sorriso teu!

Quando me perco
sigo uma voz
que me chama bem do fundo
das certezas.
Mesmo que chegue
como um canto de sereia?
eu vou !

Quando me perco
ou se me encontro,
ou se me der para ser banal
tal como agora,
tudo não passa
da vontade de dizer?
eu estou !


-Luís Represas-

...acalmar a raiva aflita da vertigem... sentir o teu braço e poder ficar...







Fragilidade


Talvez pudesse o tempo parar
Quando tudo em nós se precipita
Quando a vida nos desgarra os sentidos
E não espera, ai quem dera

Houvesse um canto para se ficar
Longe da guerra feroz que nos domina
Se o amor fosse como um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade
Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve

Tão bom pudesse o tempo parar
E encharcar-me de azul e de longe
Acalmar a raiva aflita da vertigem
Sentir o teu braço e poder ficar

E é tudo tão fugaz e tão breve
Como os reflexos da lua no rio
Tudo aquilo que se agarra e já fugiu
É tudo tão fugaz e tão breve

Mafalda Veiga

10 março 2008

Nós nunca somos iguais...





Não consigo compreender as emoções
Nem as minhas nem as das multidões
Eu paro e ponho-me a pensar
Nós nunca somos iguais

Quantas tardes noites e serões
Tantos risos histórias e canções
Que acabam nos dias mais banais
Nós nunca somos iguais

Um jurou
Eterno amor
Para depois deixar
O que tanto desejou

Outro chorou
Ao sentir a dor
Pra depois festejar
Que o desejo terminou

Não vou pensar
Que nós sabemos demais
Nem vou jurar
Porque nós nunca somos iguais

Uns que evitam sempre tentações
Outros sempre pedem mil perdões
Erramos com a certeza de acertar
Nós nunca somos iguais

Não vou pensar
Que nós sabemos demais
Nem vou jurar
Que os loucos não são normais
Nem vou pensar
Que nós seremos jamais
Nem vou jurar
Porque nós nunca somos iguais


-Donna Maria-



...creio que o melhor tema do disco "Música para ser humano"... pena ainda não haver videoclip...

19 fevereiro 2008

...passei p'la noite em ti...






já estava com saudades de ouvir este tema... é um dos temas da minha vida, por isso ter escolhido o nome "chave dos sonhos" para um dos "meus" projectos (um blogue onde eram colocadas as noticias de concertos, como o nosso blogue palmaníaco- sempre me fez confusão o facto de os fãs do LR não conviverem entre si, e tentei lutar contra isso... mas mais valia ter estado "sugadita"- cada um tem os fãs que merece e da minha parte, habituada aos fãs do Palma e dos Xutos e do Sérgio Godinho não houve pachorra para fanatismos e acabei por sair... e ganhei paz e sossego! literalmente!!)

Não sei se o tema vai fazer parte do novo alinhamento dos concertos desta tournée... se calhar, não. É pena porque é um dos melhores temas do Luís a solo... este (com letra do Sérgio Godinho) e o tema "Quem disse", um poema da Maria Teresa Horta...




Chave dos sonhos na mão
Entrarei em qualquer fechadura
P'ra lá da porta, o melhor
É sempre da aventura

Guardo com a chave dos sonhos
Segredos que o corpo merece
Se alguém não quis arriscar
Então que o não tivesse

Ontem arriscaste mais
Do que uma simples coisa exigia
Deste-me a chave dos sonhos
O caos e a harmonia



P.S. Apesar de tudo, valeu a pena conhecer algumas pessoas... felizmente há sempre o reverso da medalha...

27 fevereiro 2007

Agora

Agora a vinha é doce
Em vinha d'alhos

Agora a frívola foi-se
O matutino

Agora a vírgula vai-se
A virgindade

Agora a quinta descanta
A mocidade

Agora a pérola não
Se vai embora

Agora vai a filha
E vai a sogra

Agora não cheirava
A rosmaninho

Agora o Bento está
Mesmo sozinho

Agora pinta a chuva
Na goteira

Agora a filha já
Não tem papeira

Agora rima o novo
Rumo ao velho

Agora sabe bem
Este sossego

-Zeca Afonso-

19 janeiro 2007

Ando em busca das palavras

Aprendi mais do que sei
Sei coisas que desconheço
Ando em busca das palavras
Que são lidas do avesso

Faz-me falta
O que já tenho
Dos sonhos que construí
Só as minhas mãos tão cheias
Desmentem
O que não fiz

Apenas faço um aceno
Um sinal
Dia após dia
Sentado à beira do mundo
Para dizer que estou aqui
Quem me achar que me acompanhe
Ao lugar de onde parti

A minha vida não para
E corre no meu caminho
Esta teima do destino
Em dar-me o que sempre quis

Faço mais do que digo
Digo mais do que penso
Tenho tudo e nada tenho
Que a tudo e todos pertenço

Olho os homens
Olho o mundo;
Vejo uma estrela cadente.

-Luís Represas-

07 janeiro 2007

Quem disse (porque te amava)

Quem disse
que esta ausência te devia?
Quem pensou
que esta denúncia se enganava?
Que um dia era pior
que outro dia
Que à noite era melhor
porque sonhava?
Quem disse
que esta dor te pertencia?
Quem pensou que este amor
me perturbava?
Que o longe era mais perto
se fugias
Que o dentro era mais longe
porque estavas?
Quem disse
que este ardor te evidência?
Quem pensou que esta pena
me cansava?
Que calar era pior
se te despia
Que gritar era pior
se te largava?
Quem disse
que esta paixão me curaria?
Quem pensou
que esta loucura me passava?
Que deixar-te era paz
porque corria
Que querer-te era mau
porque te amava?
Quem disse
que esta paixão te espantaria?
Quem pensou
que esta saudade me rasgava?
Que tudo era diferente
se te via
Que o pior era saber
que aqui não estavas?
Quem disse
que esta ternura te devia?
Quem pensou que este saber
se enganava?
Neste langor crescente
que crescia
Neste entender de nós
que cintilava

Maria Teresa Horta

02 dezembro 2006

No escuro

Pois... hoje estou "No Escuro"... às vezes é complicado lidarmos com uma série de situações que nos caem em cima... e nos últimos tempos caiu-me em cima mais uma bela de uma avalanche de confusões... mas a vida ensinou-me a ser forte q.b. e tenho sobrevivido às últimas avalanches... sempre com a ajuda de alguns "pirilampos" que teimam em "alumiar" a minha noite escura como breu...



"Vi-te de longe no escuro
onde já não te esperava encontrar.
Não era a noite,
nem era o sono.
Nem falta de alma p'ra te procurar.

Fui-me chegando mais perto,
devagarinho para não pisar
o coração...
talvez o meu
bata tão forte para te avisar.

Há tantas vidas
sigo o cheiro
que me deixaste preso ás mãos
e me sufoca ao meio da noite
numa boa maldição

Há quantas vidas que eu desejo
ter mais coragem que paixão,
e confessar tudo o que o tempo
me guardou no coração

Não era falta de fé
ou confiança p'ra me revelar,
era só medo
que as tuas águas
fossem tão fundas que perdesse o pé.

Já me perdi no passado
por insistir em querer adivinhar
o que pensavas,
que não abrias
nenhuma porta para eu entrar.

Talvez mate o destino
de uma vez
se um beijo escorregar
mesmo á traição

Quem sabe
se no escuro a luz se acende
e então...
darás por todos
os recados que mandei."

- Luís Represas -



P.S. Não creio que algum dia a luz se volte a acender... mas talvez alguém perceba um dia o último recado que lhe mandei... espero que não seja tarde demais...

12 novembro 2006

Pureza e Desejo

Sabes que não sei muito mais
Do que aprendemos os dois
Em livros secretos
Tentámos fazer melhor

Como dois cristais cor de anil
Que se olham de frente e perfil
Pureza e desejo
E um toque de mão gentil

Quero ver se não respondes,
desta vez puxei por mim
Canto, voa
No bico de um colibri

Se quiseres fazer de conta
Que não viste como eu vi
O fogo que arde
No peito de um colibri

Cravejámos de ondas e sal
Não quisemos ver o areal
Deserto das cores
Com que pintámos amores

Não quero saber muito mais
Só quero saber se onde vais
Regressaste a ti?
Só quero ver-te feliz

Quero ver se não respondes,
Desta vez puxei por mim
Canto, voa
No bico de um colibri

Se quiseres fazer de conta
Que não viste como eu vi
O fogo que arde
No peito de um colibri
O fogo que arde
No peito de um colibri...


-Luís Represas-

(apesar da minha costela de quase bióloga... a 1a vez que ouvi o tema era "Pureza e Desejo" e acho o nome bem mais adequado... apesar do colibri ser um passarito muito engraçado e com adaptações metabólicas interessantíssimas...


e este tema parece ter sido dedicado aos "fanecas"... algures pelo Concerto do Casino do Estoril)

01 novembro 2006

Em frente do Sol

Tinha o pecado calado
no fundo
do corpo que um dia foi seu.
Às vezes pensava
em promessas juradas
por homens que nem conheceu.

Todos os sonhos
que tinha guardados
no canto do seu coração.
Deitou-os ao mar
e olhou-se nos lagos
que a chuva fazia no chão.

Pode ser
que um dia vá
tropeçar no amor
e cair de pé
em frente do Sol.
Empurrar as nuvens
e abraçar os ventos que a façam voar.

Quando saía para a rua
sentia
que os pés só pisavam vazio.
E a Alma insistia
em esconder-se no escuro
de um quarto que nunca existiu.

Pelas paredes
pintadas de céu
pregava retratos sem cor.
Memórias ausentes
de olhares indigentes
suspensos por fios de dor.

Sem procurar um fim
por onde começar
vai-se agarrando aos poucos risos
que a vida lhe dá.


- Luís Represas -

20 outubro 2006

Mariana


(para a nova criança da família... :-D)) )


Mariana
o mar te deu
um nome quase tão antigo
como o seu

Mariana
o mar escreveu
com as minhas mãos um canto
que ainda ninguém leu

vou mostrar-te o que não vi
vou deixar-te o que vivi
vou levar-te onde nunca me perdi

encontrar quem és
caminhar de pé
é tocar a estrela mais alta do céu

Mariana
o tempo é teu
cavalga os dias, bebe o que o vento te der

Mariana
descobre o véu
descobre os homens
que hão-de estar ao lado teu


(Luís Represas)