...se é como dizes, então liberta-te, e confia...
O CAVALEIRO DA ARMADURA ENFERRUJADA
" -Mas não tenho tanto medo quanto costumava ter - declarou o cavaleiro.
- Se é como dizes, então liberta-te, e confia - disse Sam.
- Confio em quem? - retorquiu impetuosamente. Não queria saber mais da filosofia de Sam.
- Não é em quem- replicou Sam- não é um quem mas um quê!
-Um "quê"? - interrogou o cavaleiro
-Sim - confirmou Sam. - Um quê, a vida, a força, o universo, Deus, o que quiseres chamar-lhe.
O cavaleiro espreitou por cima do ombro para o abismo, aparentemente sem fim, que se estendia abaixo de si.
- Liberta-te - murmurou Sam insistentemente.
O cavaleiro não parecia ter escolha. estava a perder as forças rapidamente e o sangue gotejava das pontas dos seus dedos que o prendiam à pedra. Acreditando que iria morrer, o cavaleiro soltou-se e mergulhou nas infinitas profundezas das suas memórias.
Relembrou todas as coisas na sua vida, pelas quais atribuira culpas à sua mãe, ao seu pai, aos seus professores, à sua mulher, ao seu filho, aos seus amigos e a todas as outras pessoas. À medida que se afundava no vazio, libertou-se de todos os julgamentos que fizera contra eles.
Caía cada vez mais depressa, estonteado, enquanto a sua mente descia até ao coração. depois, pela primeira vez, viu a sua vida com clareza, sem julgamentos nem desculpas. Nesse instante aceitou a responsabilidade total pela sua vida, pela influência que as pessoas tinham tido nela e pelos contecimentos que lhe tinham dado forma.
A partir deste momento, não voltaria a responsabilizar ninguém senão ele próprio pelo erros cometidos e pelas desventuras que o atingissem. O reconhecimento de que ele era causa, e não efeito, deu-lhe uma nova sensação de poder. Deixara de sentir medo."
Robert Fischer




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