...e assim recomeçava outro ciclo idêntico...
Juan era daqueles homens bonitos e alegres a quem ao principio nenhuma mulher resiste, mas que com o tempo deseja que outra o tivesse levado, porque sao homens que causam muito sofrimento. Nao se esforçava por ser sedutor, assim como nao se esforçava para nenhuma outra coisa, simplesmente porque bastava a sua presença e beleza refinada para excitar as mulheres à sua volta; vivia à custa delas desde os 14 anos, idade em que começou a explorar os seus encantos.
(...)
Juan fazia-me rir, divertia-me com as suas canções e versos malandros, amaciava-me com os seus beijos. Bastava que me tocasse para transformar os meus lamentos em suspiros e a minha raiva em desejo. Quão complacente é o amor que tudo perdoa!
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Juan fazia-me rir, divertia-me com as suas canções e versos malandros, amaciava-me com os seus beijos. Bastava que me tocasse para transformar os meus lamentos em suspiros e a minha raiva em desejo. Quão complacente é o amor que tudo perdoa!
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Quando Juan se ausentava, arrefecia-me a paixão, embora toda eu fervilhasse de raiva, e decidia expulsá-lo da minha vida; mas bastava ele reaparecer com uma desculpa esfarrapada e as suas mãos de bom amante para me conquistar de imediato. E assim recomeçava outro ciclo idêntico, todo ele feito de sedução, promessas, entrega, a felicidade do amor e o sofrimento de uma nova separação.
Isabel Allende
in "Inés da minha alma"
...tenho aproveitado o tempo para ler... assim, estou no meu canto e ninguém se chateia. Este "Inés da minha alma", que "começa" mais ou menos com o texto acima colocado, já estava há muito tempo na estante à espera de vez e de tempo para ser lido... e a leitura veio despertar a vontade que tenho desde miúda de conhecer algumas das antigas civilizações -não apenas a Grega, que acabou por ser uma decepção, não fossem as ilhas maravilhosas que a Grécia tem, mas as civilizações Maia e Azteca(com a ajuda dos livros de Laura Esquível, em especial o "Malinche", que recorda o papel decisivo de uma indígena, Malinalli, na conquista do México por Hernan Cortéz) e Inca... e este livro da Isabel Allende, que conta a importância de Inés Suarez na conquista do Chile, veio recordar esta vontade de menina, de quando via e revia os desenhos animados sobre as antigas civilizações... só que esse é outro sonho eternamente adiado, pelo motivo de sempre... se já há uns anos na Grécia tive problemas em ser socorrida, numa situação (normal) de risco de vida, ali, na América Latina, seria muito complicado... Mas a imaginação não preenche o vazio... e é esse o problema: o enorme vazio... que não há forma de preencher.




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